09/06/2026

Concorrente carioca no Cine PE enaltece o afeto pelas pessoas comuns

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Recife - Terceiro candidato da competição de longas do Cine PE, a comédia dramática carioca Praça Saens Peña, de Vinicius Reis, sofreu um contratempo que prejudicou sua exibição, na noite desta quinta (30). Produzido em digital e sem cópia 35 mm, ele estava formatado para uma projeção que seria ideal com HD-CAM. Segundo o diretor, o festival tinha outro tipo de equipamento. Assim, sua produção arranjou o projetor necessário, mas houve uma incompatibilidade na sala que impediu seu uso. A projeção possível acabou sendo em DVD, o que tornou a visão do filme escura demais.

Na coletiva da manhã desta sexta (1), a atriz Maria Padilha, protagonista feminina, lamentou o problema: “Acho que algo importante foi perdido, pois muito da história é transmitido pelo olhar, pelo não-dito. Isso não foi possível ver ontem”. Vinicius Reis informou também que os jurados do festival receberam cópia em dvd, para que pudessem apreciar seu trabalho nas condições adequadas.

Nem esse lamentável incidente impediu, porém, que se avaliasse muitas qualidades deste bom trabalho de estreia na ficção do documentarista Vinicius Reis – que exibiu uma obra anterior, A Cobra Fumou, neste mesmo Cine PE, em 2002. Com um roteiro dele mesmo, que teve dez versões ao longo do seu desenvolvimento, contando com ativa participação dos atores Chico Diaz e Maria Padilha, Praça Saens Peña descortina um mundo de pessoas comuns, de classe média baixa, trabalhadoras, esforçadas e cheias de afeto uma pela outra e por seus pequenos sonhos. Reforçando uma veia documental, entram diversos cenários da praça Saens Peña e outros locais da Tijuca, uma identificação geográfica que é essencial para definir a maneira de ser destes personagens.

Chico Diaz interpreta Paulo, um sacrificado professor, casado com Teresa (Maria Padilha), gerente de um pequeno café, pais da adolescente Bel (a novata Isabela Meireles). Paulo recebe o convite para escrever um livro sobre a Tijuca, o que lhe dá oportunidade de ir ao encontro de personagens como Macedo (Guti Fraga), um morador do morro vizinho do Borel que acaba de perder o filho, morto pelos traficantes, que expulsam toda sua família de casa.

Crônica familiar
A história de Macedo e o som de tiroteios das redondezas insinuam o tema da cidade partida, da criminalidade cercando, a sensação de perigo, sem correr o risco de aproximar a trama de um favela movie. Longe disso. O próprio diretor define: “Este é um filme sobre uma família, acima de tudo”.

Maria Padilha chamou a atenção para o fato de ela e Chico Diaz estarem atuando em papeis completamente diferentes do habitual. “Eu e o Chico fizemos personagens que nunca fizemos. Sempre me chamam só para papeis de rica ou louquinha. Ele só é convidado para personagens de ação”. A atriz não se esqueceu de agradecer ao diretor paulista Beto Brant por ter destoado desta ‘regra’ ao tê-la convidado para o papel de uma prostituta, numa breve cena de Matadores - onde, aliás, ela contracena com Chico Diaz.

Diaz, por sua vez, frisou que gosta muito deste seu filme, em que vê “uma procura de um espaço afetivo, não só da família, como do bairro. Há um momento em que meu personagem percebe que a realidade pode alimentar a ficção do livro que ele está escrevendo. Eu me identifico com isso”. Na visão do ator, Praça Saens Peña é “um filme silencioso que fala muito, com uma dramaturgia nova e muito respeitosa, que encerra uma homenagem ao ser próximo e comum”.

Interpretando a filha deste casal que, num determinado momento, vive uma crise, está a jovem Isabela Meireles, que tinha 17 anos nas filmagens, e foi escolhida mediante um processo de testes. Ela tinha experiência anterior no teatro.

Aldir Blanc
Uma outra sequência que remete ao documentário é a participação do compositor Aldir Blanc, velho morador da Tijuca e que é entrevistado para o projeto do livro de Paulo no filme. Segundo o diretor, a cena foi mesmo bem improvisada. Depois de anteriormente ter roteirizado a sequência,destinando falas a Blanc – “era ridícula”, confessou -, Reis acabou percebendo que seria melhor deixar tudo natural. Assim, pediu a Chico que fizesse as perguntas que ele queria mesmo saber de Aldir Blanc. O resultado foi 40 minutos de uma conversa que ficou tão boa que o diretor teve a maior dificuldade em cortar, reduzindo-a aos 5 minutos que restaram na montagem final.

Filmado com um edital de baixo orçamento, Praça Saens Peña foi feito com aproximadamente R$ 800.000,00. Distribuído pela Riofilme, tem previsão de estreia em agosto.

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