Já em ativa pré-produção, com filmagens previstas para março de 2010, Corações Sujos, o filme, terá novamente o ator Wagner Moura. O elenco, no entanto, será predominantemente japonês, para dar conta da história do Shindo Renmei, movimento de japoneses ultranacionalistas no Brasil, que não acreditaram na rendição de seu país na II Guerra Mundial e executaram 23 imigrantes apenas por aceitarem a verdade.
Nesta entrevista, Amorim dá detalhes da preparação da produção, em que conta com a participação de integrantes da equipe que criou o drama Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood.
Cineweb - O que o atraiu neste projeto?
Amorim - Eu sempre tive muito interesse pela cultura japonesa e, ainda mais, pela cultura da colônia instalada no Brasil. O choque cultural, a tentativa de adaptação a um novo país, a inevitável comparação com o país de origem são questões muito interessantes e muito próximas da minha história pessoal, que vivi grande parte da minha vida no exterior, sem nunca deixar de ser brasileiro.
Cineweb - O roteiro já está pronto?
Amorim - O roteiro foi escrito por David França Mendes, o mesmo roteirista de O Caminho das Nuvens. Ele teve o talento para tratar de um tema muito sensível e ainda controverso dentro da comunidade japonesa com o cuidado necessário para, sem trair a verdade histórica, criar uma história envolvente, movimentada e emocionante. Uma história que nos ajuda a compreender não só o que aconteceu dentro da colônia em 1945 e 46, mas também sobre o Brasil em si e nossas contradições. Quando li o livro do Fernando Morais, no qual o filme é baseado, fiquei fascinado.
Cineweb – Por que?
Amorim - Além das questões que mencionei, me dei conta que a guerra que se instalou na colônia japonesa, quando a segunda guerra mundial acabou, entre os japoneses que não aceitavam a derrota e os poucos que acreditavam nela (os "corações sujos"), era matéria-prima para, ao mesmo tempo, uma história de amor e um thriller originalíssimos. Corações Sujos será estas duas coisas e, ainda, uma reflexão sobre fundamentalismo, intolerância, racismo e manipulação da verdade - temas que são 100% atuais.
Cineweb - As falas do filme serão em japonês?
Amorim – A maioria. Os diálogos em japonês foram adaptados por Yuki Ishimaru, responsável pelos diálogos de Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood.
Cineweb -O elenco está escolhido?
Amorim - O papel principal "brasileiro" será feito por Wagner Moura. Mas os papéis principais serão feitos por atores do Japão, já que preciso não só que o japonês falado seja perfeito, mas também de atores que atraiam o público de lá, já que o filme está sendo negociado naquele mercado. Temos hoje três opções para cada um destes papeis e a produção de elenco está a cargo de Yutaka Tachibana, que também trabalhou em Cartas de Iwo Jima.
Cineweb - Como seu último filme, Um Homem Bom, será mais uma vez uma produção internacional)?
Amorim - A produção do filme é da Mixer. Estamos muito perto de fechar com um distribuidor japonês e um coprodutor americano.
Cineweb - Qual o orçamento previsto?
Amorim - O orçamento total é de R$ 8 milhões de reais, incluindo comercialização - o que não é um orçamento muito alto para uma produção como esta.
Cineweb - Onde serão as locações?
Amorim - O filme tem o apoio da prefeitura de Paulínia, através da secretaria de cultura do município, já que o projeto foi um dos vencedores do último edital de lá. Recriaremos a cidade do interior do estado de São Paulo onde se passa a maior parte da ação lá - tanto em locação quanto em estúdio.
Cineweb - Não haverá nenhuma cena filmada no Japão?
Amorim - O filme se passa (como o livro e os incidentes relativos à criação e atuação da Shindo-Renmei, que criaram as condições para a "guerra" na colônia) 100% no Brasil. Aliás, foi por isso que a história me intrigou tanto.
