22/07/2026

Cine Ceará abre competição com drama peruano

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Com o melodrama peruano O Prêmio, de Alberto “Chicho’ Durant, abriu-se a competição ibero-americana do 19º Cine Ceará, na noite de quarta (29). Na sessão, foram exibidos também os curtas Leituras Cariocas, de Consuelo Lins (RJ), Selos, de Gracielly Dias , e A Mulher Biônica, de Armando Praça, ambos produções cearenses.

Um dos oito longas a disputar o troféu principal, que dá uma premiação de US 10.000, o filme peruano, que tem entre seus produtores associados o brasileiro Cacá Diegues, segue um plano extremamente previsível. Conta a história de um pobre professor interiorano de meia-idade, que ganha um prêmio de loteria. Enxerga nele a solução de seus problemas e dos de seus filhos, Avelina e Alex – este, um rapaz que vive na capital, Lima, está distanciado do pai, em crise de identidade e flertando com o perigo.

É sempre muito bom ver uma raríssima produção peruana – o cinema local não é dos mais prolíficos – e que mostre o interior do país. Pena que o filme do veterano Durant opte flagrantemente pela simplificação dramatúrgica, pelo sentimentalismo fácil e a pasteurização dos conflitos sociais e da desigualdade – contexto que é entrevisto de leve em algumas situações, sem que a isto se some um ponto de vista original ou instigante. Em mais de um momento, O Prêmio pareceu não aspirar a ser mais do que um derivado regional empalidecido de novela mexicana. Nesse esforço por ser acessível e popular, uma preocupação visível neste filme e também em boa parte da produção recente brasileira, há que se procurar melhores alternativas.

Curtas
Os três curtas da competição já haviam sido exibidos em festivais anteriores. O documentário Leituras Cariocas, que acompanha passageiros do metrô cariocas, já fora exibido no Festival É Tudo Verdade, em março/abril. Selos passou em Recife, A Mulher Biônica, em Brasília.

Todos os três têm qualidades, mas certamente A Mulher Biônica, que se baseia numa história de Caio Fernando Abreu, é o mais consistente e ambicioso, contando com um afinado elenco feminino, liderado por Ceronha Pontes.

A seleção de curtas foi aberta por outra produção cearense, Capistrano no Quilo, de Firmino Holanda, exibido hors concours. Embora tenha sido lançado há dois anos, no Festival É Tudo Verdade, é de se estranhar porque levou tanto tempo a chegar por aqui um filme tão inquieto e relacionado com uma célebre figura local, o historiador Capistrano de Abreu.

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