O esforço valeu a pena para os dois atores. Caroline coleciona prêmios por onde o filme passa – como no Festival do Rio, no ano passado, e no 11º Festival de Cinema Brasileiro de Paris, realizado em maio. Para a atriz, que conversou por telefone com o UOL Cinema do Rio de Janeiro, onde grava a novela Paraíso, o longa é a melhor experiência de sua carreira, que já conta com dois Kikitos, conquistados nos Festivais de Gramado de 2006 e 2007 por seu trabalho nos curtas Alguma coisa assim, de Esmir Filho, e Perto de Qualquer Lugar, de Mariana Bastos.
“Foi um grande desafio viver o Marcin. Mas com isso também vem uma necessidade de superação, que me motivou muito.” A atriz foi convidada a fazer um teste pelo diretor do longa, José Eduardo Belmonte, que a viu numa foto e achou Caroline na medida certa para o personagem andrógino. “Eu conhecia o trabalho dele. Queria muito ser uma concepcionista”, brinca se referindo a um grupo de personagens do filme A Concepção (2005), do mesmo cineasta.
Caroline não mediu esforços para o teste e se entregou de cara ao personagem, cortando o cabelo e se despindo de sua vaidade feminina. “Era um risco, mas valia a pena”. O resultado está na tela. A atriz completou 22 anos na última terça, data da pré-estreia do filme. “É meu presentão de aniversário”, comemora.
Com um mergulho tão radical no personagem, Marcin dificilmente abandonará a vida de Caroline. “Eu guardo um vestido que ele usa no final do filme, num momento de transformação. Era muito incômodo vestir aquilo. Eu nem consigo tratar Marcin por ‘ela’”. A interpretação de Caroline é tão convincente que muita gente acreditou que era um homem. A atriz vê os personagens do filme como pessoas à beira do abismo, vivendo à margem da sociedade, que tenta combatê-las.
“Esse tipo de cinema traz um questionamento muito pertinente sobre o Brasil e sobre o mundo em que vivemos. O filme tem o que dizer.” Caroline aponta também o papel da “família não convencional” no longa, que apresenta um grupo de conhecidos que se unem por força das circunstâncias. “Acabamos ficando muito amigos e sempre nos falamos. É uma verdadeira Família Buscapé”, brinca.
Esse entrosamento foi consequência do trabalho do diretor que, segundo Caroline, soube lidar muito bem com os atores. “Ele tem um método muito peculiar de dirigir, sabe como trazer nossas emoções à tona. Isso fica muito claro no filme, quando vemos tanta honestidade em cena.”
Reymond engrossa o coro de elogios ao diretor, que o conheceu quando o rapaz fez o filme Falsa Loura, de Carlos Reichenbach, ao lado de Rosanne Mulholland, que trabalhou também em dois filmes de Belmonte. “Foi difícil, mas tenho muito orgulho do caminho que percorremos e de todos que estavam envolvidos nas filmagens. Com certeza essas experiências me tornaram um ator mais preparado e mais seguro em cena.”
