21/06/2026

Dan Stulbach se reinventa para levar “Tempos de Paz” ao cinema

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Num primeiro momento, pode parecer estranho pensar que o embrião do filme Tempos de Paz, em cartaz no Brasil a partir dessa sexta-feira, esteja no atentado de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas, em Nova York. Mas o protagonista do longa, Dan Stulbach, explica que a peça original nasceu daquela tragédia. Pouco dias depois da queda das torres, o ator se encontrou por acaso na rua com o dramaturgo Bosco Brasil e conversaram sobre o fato. “Fiquei me perguntando que imagem, depois da daqueles aviões atingindo os prédios seria capaz de nos emocionar? Andando pelas ruas de São Paulo vemos tanta tragédia todos os dias que ficamos amortecidos. Como diz meu personagem, as tragédias reais são mais fortes do que as de Shakespeare”, afirma, em entrevista para o Cineweb.

Por três anos, Stulbach viveu o personagem Clausewitz no teatro em Novas Diretrizes em Tempos de Paz. A sua interpretação para esse papel, criado especialmente para ele, rendeu-lhe diversos prêmios, como o Shell e o da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), ambos em 2002, e tocou fundo o diretor de cinema Daniel Filho, que quis imortalizar num filme a atuação do ator e de seu colega de cena Tony Ramos. “A transição para o cinema foi muito boa, mas foi preciso, de certa forma, reinventar o personagem depois de três anos longe dele”.

O ator conta que chegou a ver algumas gravações da peça, mas parecia que não era ele em cena. “No filme fiz uma atuação bem diferente daquela do teatro. Meu trabalho corporal é outro, solto mais a voz, o olhar é diferente e, por mais estranho que seja, no filme andei muito mais do que na peça.”

Com roteiro assinado pelo próprio dramaturgo, Tempos de Paz discute, entre outras coisas, a possibilidade de a arte poder mudar o mundo. O personagem de Stulbach é um ator polonês que tenta se instalar no Brasil, no governo de Getúlio Vargas, e é barrado na imigração. “O Clausewitz chega feliz, é quase um clown, mas aos poucos cai na real e percebe que o Brasil não é um país dos sonhos”.

Stulbach considera bastante pertinente a bandeira levantada pelo filme – a do poder de transformação da arte. “Sempre pensei que se eu fosse muito bem resolvido não seria ator. Você acaba nessa profissão pensando em lidar com a sua incapacidade de comunicação.” Isso vai exatamente ao encontro de seu personagem, um ator. “Para mim, o filme também é uma homenagem que faço aos atores que sempre admirei, como Paulo Autran, Marco Nanini e Antonio Fagundes.”

Mais do que laços profissionais, há um outro vínculo de Stulbach com a história de Clausewitz. “Eu venho de uma família de imigrantes poloneses. Sou da primeira geração nascida no Brasil. Por algum motivo, meus pais poderiam ter estado no mesmo navio do personagem, se tivessem vindo para cá naquele ano.” Os avôs do ator sobreviveram à II Guerra Mundial e chegaram ao Brasil no final dos anos 1950 – diferente do filme, que se passa em 1945. “Eu conversava com meu avô sobre o assunto, mas meus pais, estranhamente, praticamente não falavam disso”.

Mas quando Daniel Filho estava em busca de uma atriz capaz de falar polonês para interpretar uma imigrante, Stulbach sabia que tinha em casa a pessoa ideal para o papel: sua mãe, Ewa Stulbach. “Ela não era atriz, mas se saiu muito bem no teste. O Daniel adorou e deu tudo certo. Foi bastante emocionante contracenar com ela”. O ator conta que a ajudou a se preparar, mas muito veio da própria atriz e do trabalho do diretor. “Além de tudo, ela tinha passado pela mesma experiência que enfrenta a personagem. Foi muito bonito vê-la em cena”.

O pai do ator também tem uma pequena participação em duas cenas. “Fazer o filme e o vê-lo em família foi muito bonito. Meus pais ficaram muito emocionados. Eles ficariam mesmo que não estivessem participando, claro, mas o fato de estarem na tela e fazendo aqueles personagens os tocou ainda mais fundo”.

Stulbach sabe que Tempos de Paz tem apelo universal. “Esse é um filme que dialoga tanto com aqueles que gostam de um cinema mais popular, quanto aqueles que preferem algo mais intelectualizado, e isso me deixa muito feliz”, explica o ator que, no momento, termina de rodar o novo filme de Arnaldo Jabor, Suprema Felicidade, no qual faz o papel do pai do protagonista. “Eu acho que o menino é um pouco o Jabor, mas ele brinca e diz que estou ficando louco.”

Agora com a chegada de Tempos de Paz aos cinemas, Stulbach confessa estar curioso para ver a reação das pessoas. “Esse filme é o lugar em que quero estar como artista. O filme é a garrafinha que joguei ao mar, como um menino que quer mostrar a s

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