Devido às dificuldades da produção cinematográfica no Brasil, a série acabou saindo antes do projeto anterior do diretor, de adaptar para o cinema o próprio romance, que retrata a difícil história de amor entre um fotógrafo e uma mulher problemática, casada com um pastor. Selecionado pelo Fundo Setorial da Ancine, que teve sua nova edição divulgado nesta quinta (20), o filme, com orçamento total estimado em R$ 4 milhões, entrará em pré-produção. Uma tarefa que deve consumir todo este resto de semestre. As filmagens só começam em 2010.
O motivo dessa demora é a logística desta produção, como explica Brant, em entrevista: “Vamos filmar em Santarém, no Pará, e este ano houve muita chuva por lá. A água vai demorar a baixar. Nosso plano é filmar a região na seca, na época das queimadas, e depois as cheias também. Além disso, ainda teremos uma semana de filmagens no Rio ou em Vitória”.
Não é a primeira vez que o diretor filma fora de sua base, São Paulo. Matadores, seu filme de estreia, foi feito em Mato Grosso do Sul. O segundo, Ação Entre Amigos (98), em Minas Gerais. E o último, Cão sem Dono, em Porto Alegre.
Brant admite que sua ambição, com Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios, “é fazer um filme maior do que a gente tem feito, com mais cópias e maior distribuição”. Os atores ele já escolheu mas, como é seu costume, não gosta de anunciar o elenco muito antes das filmagens. “Não quero que comece desde já um assédio a eles”.
Falando em repercussão, Brant conta que ficou satisfeito com o alcance da série O Amor Segundo B. Schianberg. “Tivemos uma audiência muito boa para o horário das 22 horas, bem constante. Na Grande São Paulo, houve uma projeção de 400.000 pessoas assistindo, muito além do que se costuma conseguir em cinema”. Ele só não gostou das críticas dos jornais de São Paulo em relação à nudez e aos palavrões da série. “Acho que alguns foram por um caminho muito moralista, muito conservador”.
Agora, o diretor pretende expandir este público da série, cujos quatro capítulos foram reduzidos numa versão condensada, de 80 minutos, que ele pretende levar aos cinemas. “Vamos exibi-lo em festivais, como o do Rio, a Mostra de São Paulo, e procurar um distribuidor”.
Outro trabalho em que Brant está envolvido é a produção de um documentário sobre a Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo, dirigido por um colega de faculdade, Luiz Otávio. As filmagens já começaram, acompanhando os bastidores da orquestra e os ensaios da temporada deste segundo semestre.
A produção, aliás, vai ocupar o tempo e as energias de Brant e seus sócios na Drama Filmes, Bianca Villar e Renato Ciasca (codiretor de Cão Sem Dono). Eles devem produzir os próximos filmes de pelo menos dois dos mais promissores diretores da nova geração. Mas, por enquanto, Brant faz segredo dos nomes.
