15/06/2026

Diretor de “Os Normais 2” aposta na ‘boa sacanagem’ para lotar os cinemas

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“Temos piadas de todos os níveis. É um filme libertário”, brincou o diretor de Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas, José Alvarenga Jr, quando perguntado pelo Cineweb qual é o maior atrativo da produção - que estreia no pais sexta-feira. Brincadeiras à parte, o cineasta acredita que o filme leva para a tela o que ele chama de "boa sacanagem". “É aquele tipo de sexualidade abordada de uma forma brincalhona, como as pessoas conversariam numa mesa de bar.”

“O filme atende ao público que via Os Normais na televisão, mas também a um público jovem que não tinha idade para ver o primeiro filme [2003] no cinema, nem o programa, e acabou conhecendo a série no DVD”, continua. Para ultrapassar a marca de quase 3 milhões de ingressos da produção anterior, Alvarenga Jr acredita que o humor aliado à sacanagem é a receita.

“No cinema, a gente pode mostrar de forma brincalhona uma sexualidade que na televisão não se podia”, explica. Mas que ninguém sugira a Alvarenga Jr que seu filme tem um quê de pornochanchada. Ele faz questão de frisar que em Os Normais 2 não há ninguém nu, ou qualquer outra coisa que possa remeter ao gênero sucesso nos anos de 1970 e 1980. “Aqui temos a volta da boa sacanagem, aquela que beira a ingenuidade”.

Em Os Normais 2, Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) procuram uma terceira pessoa para aquecer o noivado deles que já dura 13 anos. Ao contrário do primeiro filme que se preocupava em ser mais cinematográfico, aqui, o formato televisivo é assumido de vez.

“No primeiro tivemos uma necessidade de provar que também éramos de cinema, não apenas de televisão. Isso é uma questão que já devia ser superada no Brasil”, justifica-se Alvarenga Jr que, em abril passado, lançou “Divã”, que fez quase 2 milhões de ingressos nos cinemas. “A massa que vai ao cinema não está preocupada se o filme é de arte ou comercial. Isso é uma discussão torta, na minha opinião. Para o público, o que importa é se o filme é bom ou ruim”.

Alvarenga Jr. vai mais longe ao comparar TV e cinema: “Em termos de propostas estéticas, a TV está na frente do cinema. Basta ver Carandiru, Cidade de Deus, começaram no cinema e se transformaram em série para a televisão com liberdade. A TV tem um poder de comunicação bem maior. Cada episódio de Os Normais [exibidos às noites de sexta na Rede Globo entre 2001 e 2003] era visto por mais de 40 milhões de pessoas”.

Humor à Monty Python

Para Alvarenga Jr., o segundo filme atende a uma necessidade do público. “As pessoas sentiam falta dos personagens, daquele humor”. O casal de roteiristas Fernanda Young e Alexandre Machado engrossa o coro, mas também sabem do peso da responsabilidade. “Havia um medo muito grande de decepcionar os fãs ao retomar os personagens seis anos depois da última temporada. As pessoas se identificam muito com Rui e Vani”, aponta Fernanda.

“O roteiro foi muito trabalhado e o filme só entrou em produção quando todos achavam que estava bastante engraçado mesmo. Respeitamos o ritmo da série, tudo se passa numa única noite”, conta Machado. Mas, ao contrário do programa na televisão, no cinema, os roteiristas privilegiaram a ação em detrimento do diálogo. Algumas cenas, inclusive, foram boladas pelo diretor e não estavam no roteiro – como uma série de confusões num hospital.

“Há cenas que no papel parecem muito grosseiras, coisas de humor visual mesmo, e na tela funcionam bem”, conta Fernanda, referindo-se a um incidente envolvendo uma cadeira de rodas, uma bengala e um paciente fazendo exame de toque. “Com o filme pronto, essa doideira toda me pareceu necessária até. Eu vejo aquilo como um quê de Monty Python”. Fernanda também rebate qualquer acusação de mau gosto para o filme. “É óbvio que não é realista. Está muitos tons acima do normal, é uma comédia de absurdo”.

“O filme poderia ser um episódio do televisivo, se a gente o ‘despoluísse’, tirando os palavrões ou as referências mais claras à sexualidade”, analisa Fernanda. “Nada me choca nesse filme. Acho que não tem nada de vulgar”, conclui Machado.

Fernanda e Machado são mais do que um casal, são um time de roteiristas que dividem o trabalho em partes iguais, ‘embora todo mundo ache que eu seja apenas a doida tatuada que fica do lado dando palpites. Esse é um meio muito machista’, dispara a escritora. Machista ou não, curiosamente, em Os Normais 2, Rui e Vani procuram uma mulher para ir para cama com eles, e nem se cogita um homem. “Acho que é mais estético, mais orgânico com uma mulher do que com um homem”, pondera a roteirista.

Independente do sucesso do segundo filme, os roteiristas e o diretor já planejam o terceiro. “O casamento pode ser bem mais engraçado do que o noivado. O divórcio também seria uma possibilidade. Ou mesmo eles tendo um filho”, adianta Fernanda.

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