“O conceito da série sempre foi ouvir a garotada, dar espaço para os jovens falar de sexualidade, de problemas sociais, enfim, questões que os afligiam”, explica Dahmer, que além de diretor dos três Xpress é responsável pela criação de campanhas de utilidade pública dentro da MTV Brasil.
“O programa também deve ter a função da conscientização. Trabalhamos no limite entre o entretenimento e a educação, senão a gente fica na mão da falta de compromisso”. Ao longo de três filmes, cada um com cerca de 45 minutos, Dahmer visitou lugares como Rio de Janeiro, Jamaica e Cidade do México. Xpress 08, que estreou na programação da MTV no ano passado, conversa com jovens e ativistas de Recife, Nova York, Santo Domingo e Bogotá.
“O que me chama a atenção é que essas cidades têm problemas muito parecidos, como a violência e tráfico de drogas. Mas cada sociedade enfrenta de um jeito diferente. Dos países que visitei na America Latina, o Brasil é onde há a população mais atuante e que está mais ciente de seus problemas”. Na Colômbia, por exemplo, explica Mauro, o governo e até a maioria da população têm medo de encarar as questões.
“Enquanto em São Paulo a gente tem a maior parada gay do mundo, na Jamaica eles queimam os homossexuais em praça pública”. Viaja e documentar a América Latina fez Dahmer se deparar com problemas como esse. “A gente acaba conhecendo muita coisa interessante sobre as culturas locais, mas também muitos problemas”. Na Colômbia, a equipe da MTV filmou poucos dias depois da libertação de Ingrid Bittencourt, em meados do ano passado. “Eu percebi que os jovens queriam muito falar sobre política naquela momento, eles tinham algo preso na garganta e queriam colocar para fora”, explica o diretor.
Para a escolha de seus entrevistados, Dahmer conta com a ajuda de produtoras locais, que trabalham de acordo com seu esquema usado desde o primeiro filme da série, em 2006. “Eu combino um terço daqueles que chamo de ‘irmãos mais velhos’, que são artistas, na faixa dos trinta anos, que falam a sociedade e seus problemas, com um grupo de jovens ativistas, que são engajados e procuram soluções. E completo com uma parte daqueles que chamo de ‘irmãos mais novos’. Estes são jovens afetados pelos problemas e têm uma visão mais ingênua da sociedade”.
Uma questão levantada por um dos ‘irmão mais velho’ de Recife, o músico Fred 04, da banda Mundo Livre S/A, é a sexualização da música brega brasileira. Letras que supostamente seriam ingênuas abordam de forma grosseira questões sexuais e são cantadas pelas crianças. Dahmer concorda que por trás disso tudo há um comércio, além da exacerbação da sexualidade de forma preconceituosa. “Tudo isso está também ligado à globalização. As pessoas veem uma dança sensual da Jamaica, e a copiam. Tudo acaba se difundindo de forma errada”.
Nesse sentido, filmes, programas de televisão e eventos, como o “Cinema Mostra AIDS”, são fundamentais para a conscientização dos jovens. Dahmer já trabalha em novos projetos de cunho social na MTV. “Já estamos planejando campanhas que vão preparar para as eleições do ano que vem”, adianta.
