Atualmente, Dhalia ainda trabalha no lançamento de À Deriva, que continua a sua carreira internacional depois da première em Cannes e a estreia no Brasil, e negocia projetos no exterior. “Tive alguns convites para dirigir nos Estados Unidos, e tenho me reunido com produtores em Los Angeles”, adianta o diretor, que conta ter recebido proposta tanto para produções independentes, quanto de grandes estúdios.
Além disso, Dhalia continua trabalhando em Uma Mulher e Uma Arma, que pretende filmar na Argentina no próximo ano. Esse projeto será ainda mais ambicioso do que À Deriva (foto), segundo Dhalia. “Estamos na fase de captação e em breve começamos o casting. Isso, na verdade, depende de vários fatores. Precisamos, primeiro, decidir se o filme será falado em espanhol ou inglês”.
O diretor define o longa como um noir, mas que, ao contrário do que é comum no gênero, se passa a céu aberto sem o clima claustrofóbico e com uma pegada de road movie. “Será um drama existencialista, com um quê de Antonioni, e se passará entre Buenos Aires e a Patagônia chilena.” A produção está orçada em torno de R$6 milhões e levará o selo da Celluloid Dreams do Brasil – empresa fundada por Dhalia, Patrick Siareta (também proprietário da finalizadora Teleimage), o produtor executivo Fernando Menocci e Tatiana Quintella (ex-Secretária de Cultura de Paulínia), além de Hengaméh Panahi, fundadora da matriz, que tem sede na França.
Pela Celluloid Dreams, Dhalia também desenvolve um outro projeto, Serra Pelada, que ainda não tem previsão de quando será rodado. O que ele adianta é que entre 2010 e 2011, os curta-metragistas Esmir Filho e Vera Egito começam a rodas novos trabalhos.
Esmir já tem um longa pronto, Os Famosos e os Duendes da Morte, que estreará no Festival do Rio (24 de setembro a 8 de outubro), e já trabalha no roteiro de A Baleia. “O filme ainda está num momento bastante embrionário. Mas posso adiantar que sai do universo adolescente e mergulha no contexto das relações familiares”, explica o diretor. “ Os Famosos... é um filme de inverno, enquanto A Baleia será um filme de verão, e mostra tudo o que pode acontecer nessa estação”.
Já Vera exibiu dois curtas na Semana da Crítica do Festival de Cannes, em maio passado, Elo e Desfecho, além de co-assinar o roteiro de À Deriva e Uma Mulher e Uma Arma. Agora, a diretora prepara seu primeiro longa, Maria Antonia, sobre a briga histórica entre alunos da USP e do Mackenzie em 1968. “Apesar do contexto histórico, o que me interessa é a reunião dramática”, explica a diretora.
Trabalhando no argumento do filme, Vera espera ter a primeira versão do roteiro até o final do ano. A cineasta diz estar bastante ciente das diferenças entre curtas e longas, por isso que desenvolver bem o roteiro. “Um curta pode ser construído a partir apenas de uma ideia. Já o longa, precisa de uma dramaturgia mais consistente, de uma história interessante. Além disso, há também o comprometimento com investidores e o público”.
Vera diz ter como inspiração o premiado longa de Gus Van Sant Elefante. “Acredito que meu filme irá adotar o ponto de vista de um rapaz de 18 anos, que acabou de entrar na faculdade, e acaba no meio do conflito como uma testemunha. Por isso, no filme, vou falar da descoberta, da perda da inocência – algo que todos passamos na vida”, conclui.
