A história se passa em 2006, no final de semana do Dia das Mães, quando delegacias de polícia foram atacadas, ônibus incendiados, entre outros atos promovidos por facções criminosas. “Muitas pessoas acusam o filme de ser a favor dos bandidos, o que é uma tremenda bobagem”, explicou o diretor ao Cineweb, por telefone. “A maioria das pessoas que fazem esses comentários nem viram o filme ainda. Como podem saber do que estão falando? É apenas um desejo de fazer polêmica às custas do filme”.
“Não é um documentário, não é jornalismo investigativo, é um filme de ficção, a história de uma mãe que tenta salvar a vida do seu filho”, explica. A personagem é interpretada por Andrea Beltrão que, durante as visitas à penitenciária onde o filho está, conhece a advogada do líder de uma facção criminosa, interpretada por Denise Weinberg.
Esta não é a primeira mãe-coragem na carreira de Rezende cujo trabalho anterior é o drama Zuzu Angel, que traz Patrícia Pilar no papel da estilista que enfrenta a ditadura militar tentando salvar seu filho, o preso político Stuart Angel.
O diretor, que mora no Rio de Janeiro, acompanhou todo o desenrolar dos fatos em São Paulo pela televisão enquanto aguardava a exibição de uma matéria sobre seu Zuzu Angel no “Fantástico”. “Os ataques dominaram tudo. A reportagem sobre meu filme acabou nem indo ao ar. A televisão exibia o pânico praticamente em tempo real. Foi um dia marcante na vida do paulistano. Tenho certeza disso. É uma espécie de 11 de setembro para São Paulo”. Desde aquele momento, Rezende se interessou pelos acontecimentos e poucos meses depois já estava trabalhando num roteiro, creditado a ele e Patrícia Andrade (2 Filhos de Francisco).
Para poder ser elegível ao Oscar, Salve Geral já está em cartaz em algumas cidades do interior de São Paulo. O diretor alega que é bastante comum nos Estados Unidos lançar um filme em poucas cópias para poder se candidatar ao Oscar e só mais tarde, fazer um grande lançamento nacional. O longa deve estrear em cerca de 200 salas. Rezende crê que a escolha para concorrer ao Oscar deva influenciar a bilheteria.
“O Oscar é considerada uma das maiores festas do cinema mundial. Embora o destaque seja os filmes americanos, o poder junto ao público é muito grande, inclusive no Brasil”, explica. Quanto à categoria de filme estrangeiro, Rezende lembra que o Brasil nunca ganhou esse prêmio, e que a estatueta poderia fazer uma grande diferença para o cinema nacional. “Somos um país muito colonizado. Até para ser convocado pela seleção de futebol tem que jogar lá fora primeiro. O Oscar, acredito, ajudaria a aumentar a auto-estima cinematográfica do brasileiro”.
Apesar do otimismo, Rezende revela que ainda não tem um distribuidor nos Estados Unidos, nem começou a pensar numa campanha para conseguir a indicação ao Oscar. “A prioridade de distribuição é da Sony, que lança o filme aqui, mas ainda não temos nada fechado”.
