A atriz brasileira, de 80 anos, intérprete de filmes emblemáticos do cinema brasileiro – como O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha –, depois de declarar igualmente sua admiração pela colega, perguntou-lhe quais as diferenças que encontrou entre o Brasil que viu há 36 anos atrás e agora. Jeanne fez questão de agradecer Odete: “Estou muito tocada que a senhora tenha vindo aqui. A energia que reencontrei, de pessoas como a senhora e Cacá e tantos outros com quem falei, é uma das melhores coisas de estar daqui”.
Em seguida, respondeu: “Cheguei à noite, mas pude notar que não existe mais uma estradinha que havia à beira-mar. Há muitos prédios altos escondendo a paisagem”. Mas observou: “Não sou nostálgica”.
Ela comprovou a afirmação quando um dos espectadores lhe perguntou qual seu filme preferido, entre os tantos que fez. “O filme preferido é sempre o próximo. A gente tem que olhar para a frente”.
Da mesma forma, quando outro espectador, falando da Nouvelle Vague e do Cinema Novo, lhe perguntou o que faltava para que ocorresse uma mesma onda de renovação no cinema atual, ela cortou “Mas você está muito bem situado para ver onde está a criatividade, aqui no Brasil, onde foi feito Cidade de Deus e Cacá Diegues está refazendo 5 Vezes Favela”. Jeanne, inclusive, vai visitar o grupo Nós do Morro, no Vidigal, envolvido neste projeto de Cacá, o que foi um de seus pedidos expressos nesta viagem.
A pergunta de outro espectador, sobre se ela ainda cantava – como fez em Jules e Jim, de François Truffaut, e também em Joanna Francesa, interpretando canção de Chico Buarque de Holanda – deu oportunidade a que a atriz revelasse um novo projeto. Ao lado do cantor pop francês Étienne Daho, ela contou que se prepara para cantar composições inspiradas em Jean Genet. A previsão deste lançamento é em meados de 2010.
