04/06/2026

No Rio, Jeanne Moreau elogia criatividade do cinema brasileiro

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Mais de duzentas pessoas trocaram uma manhã de sol com todas as possibilidades de praia para assistir a uma conversa com Jeanne Moreau no Cine Odeon, centro do Rio. A renomada atriz de Os Amantes, Jules e Jim e tantos outros filmes, de 81 anos, chegou pontualmente às 11h, de braços dados com Cacá Diegues, diretor do único trabalho brasileiro de Jeanne, Joanna Francesa(73). Foi aplaudida de pé, ouviu dezenas de elogios, de Cacá e de outros presentes, entre eles, Odete Lara – que protagonizou um dos momentos mais emocionantes do encontro, parte da programação do Festival do Rio, que exibe quatro filmes com a atriz francesa, Mais Tarde Você Vai Entender, de Amos Gitai, O Tempo que Resta, de François Ozon, e os documentários Jeanne Moreau – Conversas, de Josée Dayan, e Jeanne Moreau – Um Retrato Íntimo, de Josée Dayan, Pierre-André Butang e Annie Chevallay.

A atriz brasileira, de 80 anos, intérprete de filmes emblemáticos do cinema brasileiro – como O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha –, depois de declarar igualmente sua admiração pela colega, perguntou-lhe quais as diferenças que encontrou entre o Brasil que viu há 36 anos atrás e agora. Jeanne fez questão de agradecer Odete: “Estou muito tocada que a senhora tenha vindo aqui. A energia que reencontrei, de pessoas como a senhora e Cacá e tantos outros com quem falei, é uma das melhores coisas de estar daqui”.

Em seguida, respondeu: “Cheguei à noite, mas pude notar que não existe mais uma estradinha que havia à beira-mar. Há muitos prédios altos escondendo a paisagem”. Mas observou: “Não sou nostálgica”.

Ela comprovou a afirmação quando um dos espectadores lhe perguntou qual seu filme preferido, entre os tantos que fez. “O filme preferido é sempre o próximo. A gente tem que olhar para a frente”.

Da mesma forma, quando outro espectador, falando da Nouvelle Vague e do Cinema Novo, lhe perguntou o que faltava para que ocorresse uma mesma onda de renovação no cinema atual, ela cortou “Mas você está muito bem situado para ver onde está a criatividade, aqui no Brasil, onde foi feito Cidade de Deus e Cacá Diegues está refazendo 5 Vezes Favela”. Jeanne, inclusive, vai visitar o grupo Nós do Morro, no Vidigal, envolvido neste projeto de Cacá, o que foi um de seus pedidos expressos nesta viagem.

A pergunta de outro espectador, sobre se ela ainda cantava – como fez em Jules e Jim, de François Truffaut, e também em Joanna Francesa, interpretando canção de Chico Buarque de Holanda – deu oportunidade a que a atriz revelasse um novo projeto. Ao lado do cantor pop francês Étienne Daho, ela contou que se prepara para cantar composições inspiradas em Jean Genet. A previsão deste lançamento é em meados de 2010.

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