08/06/2026

Dani Carlos se diz diferente da cantora que interpreta em ”Quanto Dura o Amor?”

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Em cena, em Quanto Dura o Amor? estão três atrizes interpretando versões mais ou menos parecidas com elas mesmas na vida real. “A minha personagem é uma cantora, como eu. Mas ela vive bastante o presente, é muito impetuosa e inconsequente, muito diferente de mim”, explica a cantora e, agora também, atriz Danni Carlos, que no longa, interpreta Justine. Já Silvia Lourenço faz uma jovem que se muda para São Paulo em busca do sonho de ser atriz. “Com essa personagem revivi toda a minha trajetória, o começo da carreira é igual para todo mundo”, explica a moça que já participou de filmes como Contra Todos e O Cheiro do Ralo, e está prestes a estrear a peça As Meninas, em São Paulo.

A terceira do grupo é Maria Clara Spinelli, que depois de uma carreira nos palcos, faz a sua estreia em cinema com esse longa. Apesar de algumas semelhanças com sua personagem, a misteriosa advogada Susana, ela é bastante diferente. A atriz é muito mais alegre e divertida na vida real do que sua personagem na tela. “É uma dificuldade muito grande de se expor, quando o personagem é tão parecido com a gente”, explicou ao Cineweb. Silvia concorda com ela e acredita que por fazer uma personagem tão parecida consigo mesma as pessoas possam achar que é ela mesma. “Esse é o grande desafio do filme. Complica muito a gente achar uma linha tênue entre a personagem e eu”.

Para Danni, no entanto, fazer o filme foi o grande desafio. “Eu me preparei muito depois que passei no teste. E confiei no Roberto [Moreira, diretor do filme]. Tinha certeza de que ele não ia deixar eu estar mal, afinal o filme é dele, e ele quer o melhor para o filme”. Apaixonada pelo cinema, a cantora diz que não pretende perseguir uma carreira de atriz, mas também não descarta novos trabalhos na telona. Antes de “Quanto Dura o Amor?” ela fez uma pequena participação em “A Mulher Invisível”. “Estou aberta a propostas. Não procurei esse filme, foi o destino que o trouxe, foi muito inesperado e muito bom, por isso se aparecer um novo projeto eu posso fazer”. Ela revelou que está em pré-produção de um novo disco que pretende lançar no início do ano que vem, e um trabalho numa novela, por exemplo, tomara seu tempo. “No cinema a gente consegue se organizar e fazer shows ao mesmo tempo em que grava um filme, na televisão é diferente.”

Danni rodou o filme bem antes de sua participação no programa de televisão A Fazenda, e agora, quando viu “Quanto Dura o Amor?”, depois do confinamento, lembrou de uma Danni Carlos diferente dessa pós-reality. “Eu mudo muito. A cada três meses eu vou mudando. Levo a vida assim, nunca me cristalizo”, conclui.

Ela não foi a única, no entanto, a passar por mudanças. Silvia, por exemplo, nasceu em São Paulo e se criou na mesma região onde passa o longa – esquina da Paulista com a Consolação – e mesmo assim,Quanto Dura o Amor? a fez conhecer uma cidade diferente. “Eu vi uma São Paulo completamente diferente daquela que eu conheci a vida toda. A gente começa a prestar atenção nos detalhes, em coisas que passavam batidas.”

Maria Clara, que nasceu e mora na cidade de Assis, no interior de São Paulo, faz uma advogada cosmopolita, ao contrário de Silvia, que interpreta uma moça do interior que vem para a capital em busca do seu sonho. “É uma inversão curiosa entre nós duas”, explica Maria Clara. “Essa coincidência foi muito fértil no processo de construir os personagens, de fazer o filme. A gente se ajudou muito. Eu morei no apartamento da Silvia durante o tempo das filmagens, os gatos que aparecem em cena eram dela. Ficamos todos muito próximos”.

Quanto sua estreia no cinema, Maria Clara diz que ainda acha estranho se ver na tela. “A primeira vez foi bastante difícil. Agora estou me acostumando, mas sempre é complicado. A gente sempre pensa que podia ter feito melhor, ou, ao menos, diferente”. Silvia, no entanto, parece discordar da amiga. “Eu me adoro ver no cinema. Acho que é bastante didático essa chance de poder analisar o nosso trabalho. Quantas profissões dão essa chance de rever o seu trabalho?”. Gostando ou não de se ver na tela, as duas dividiram o prêmio de melhor atriz, por esse filme, no Festival de Paulínia, em julho passado.

Mas as três são unânimes em uma coisa: quando se vêem na tela, muitas vezes, se espantam com aquilo que foram capazes de fazer. “A personagem enfrenta tudo o que a gente enfrenta, o mico de ser recusado em testes”, explica Silvia. “Eu consigo lidar com essa humilhação em particular, mas no cinema, na frente de todo mundo, foi bastante difícil”. Já Maria Clara define como um ‘processo esquizofrênico’, esse de separar a personagem e a atriz. “Lidar com as semelhanças entre mim e a Suzana foi o desafio maior”, arrebata a atriz. E, por fim, Danni gosta da forma como o longa mostra de forma positiva o amor livre, a quebra de preconceitos. “O filme, para mim, fala de desencontros. Você desencontra o outro quando se desencontra a si mesmo. Esse desencontro interno proporciona o medo. Escapar do outro, do amor, é escapar de si mesmo”.

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