Em entrevista por telefone ao Cineweb, Suzana comenta: “ A sala (Arteplex 1) estava lotada, havia gente sentada no chão. Depois do filme, ninguém queria ir embora. Até eu fiquei surpresa. E eram pessoas comuns. Ainda estou recebendo telefonemas, e-mails, me cumprimentando”. Uma recepção, como ela faz questão de lembrar, bem diferente da frieza sofrida pelo filme no Festival do Rio, encerrado no último dia 8.
A diretora compara a reação também no Festival de Toronto. “Lá também meu filme foi recebido de maneira bem diferente do que no Rio. Acho que ele não é para balneário. Eles devem querer Os Normais”, provoca.
Tal como aconteceu em seus dois primeiros filmes, em Hotel Atlântico Suzana partiu novamente de uma obra literária, no caso, o livro homônimo do autor gaúcho João Gilberto Noll. A diretora conta que queria “modificar sua rota”. E complementa: “Procurava uma obra em que narrativa não fosse tradicional, que não contasse uma história. Este livro foi na direção que eu pretendia”.
No filme, o protagonista é um ator sem nome, eventualmente designado como Artista (Júlio Andrade, de Cão sem Dono), que abandona uma cidade, percorrendo uma trajetória sem rumos muito definidos. No caminho, encontra pessoas inusitadas – caso de um sacristão um tanto profano (Gero Camilo, de Carandiru), a fogosa filha de um político (Mariana Ximenes, de Bela Noite para Voar) e um enfermeiro (João Miguel, de Estômago). Várias vezes, seu corpo e sua vida correm riscos.
O tom que Suzana procurou para a história foi assumidamente o “estranhamento”. Ela explica: “Não tem psicologismo nenhum, ele só vive o momento, pula de circunstância em circunstância e uma não tem nada a ver com a outra. É antilinear”.
A diretora também tem métodos bem particulares tanto para escolher seus elencos, como para dirigi-los. “Não faço testes, acho um desrespeito com o ator. Tenho intuição, dá para saber se o ator é bom ou não só de vê-lo meia hora, no teatro, no cinema”, garante.
Suzana também é contra entregar o roteiro para os atores. “Primeiro, mando ler o livro. Depois, a gente conversa muito. Só dou o roteiro na véspera da filmagem. E não quero que os atores o decorem”.
No set, ela também é adepta de descrever as situações e deixar que os atores criem suas falas. Os diálogos, segundo ela, são frutos destas conversas intensivas que ela mantém com o elenco, ao longo de três, quatro meses. E, apesar de que a diretora também é contra ensaios, suas filmagens costumam ser rápidas. Com orçamento de R$ 2,5 milhões, Hotel Atlântico, por exemplo, foi filmado em seis semanas, entre São Paulo e Santa Catarina. Sua estreia comercial está marcada para o próximo dia 13 de novembro, em circuito nacional.
Matérias internacionais sobre o filme, como uma publicada na Hollywood Reporter, quando foi exibido em Toronto, renderam à diretora comparações com David Lynch e Michelangelo Antonioni. Ela comenta: “Eles todos são bem alternativos”. E, se não rejeita esta companhia, não esconde gostar também de outras: “Quando fui a Toronto, colocaram meu filme no Masters Program, o programa dos mestres, ao lado de Alain Resnais, Amos Gitai, Marco Bellocchio, Lars von Trier. Isto é um prêmio”.
O trabalho mais conhecido de Suzana, sua estreia em longas A Hora da Estrela – que recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, inclusive o de melhor atriz para Marcélia Cartaxo no Festival de Berlim de 1985 – foi recentemente restaurado e será exibido na Mostra, na próxima semana. Sobre este trabalho, Suzana comenta: “Estou sempre revendo este filme e ele não está datado. Poderia ter sido feito no ano passado”.
HOTEL ATLÂNTICO (HOTEL ATLÂNTICO), de Suzana Amaral (107'). BRASIL. Indicado para: 12 ANOS.
CINEMA DA VILA - 27/10/2009 - 17:40 - Sessão: 450 (Terça)
UNIBANCO ARTEPLEX 2 - 30/10/2009 - 13:30 - Sessão: 741 (Sexta)
A HORA DA ESTRELA (A HORA DA ESTRELA), de Suzana Amaral (96'). BRASIL. Indicado para: 14 ANOS.
CINE BOMBRIL 1 - 02/11/2009 - 19:00 - Sessão: 1109 (Segunda)
