04/06/2026

Premiado em Brasília, Paulo Miklos concilia carreira de músico e ator

Em seu quarto papel no cinema, o músico dos Titãs tenta se desvencilhar da marca que sua estreia, como o matador Anísio, de O Invasor, deixou em sua carreira. “Era um papel muito forte, as pessoas gostaram muito, mas sempre me associavam a ele”, confessou o ator ao Cineweb. Mas agora, com É proibido fumar, chegou a hora da virada. “Foi um presentão. É um personagem muito diferente de tudo que fiz, embora tenha muito de mim”, confessa.

Quando ele se refere às semelhanças, não está falando apenas porque seu personagem, Max, também é músico. “Ele também tem uma atitude muito tranquila em relação à vida. Uma grande diferença é que ele é ex-fumante e eu estou querendo parar”. O cigarro, aliás, está no centro do filme. Quando se envolve com sua vizinha, Baby, interpretada por Gloria Pires, uma professora de violão, Max pede para ela abandonar o cigarro. E aí começa uma longa jornada da moça, que passa por num acidente que muda a vida de ambos.

O músico e ator entrou no filme quando a diretora e roteirista, Anna Muylaert, estava em busca de um ator para fazer par com Gloria. “Meu teste foi fazer uma espécie de filme-demo rodado em digital em apenas dois dias. Rodamos o filme todo nesse ensaio, no qual em contracenava com Dani Nefussi [que no filme interpreta a irmã de Gloria], no papel de Baby. O resultado ficou muito bom, e acabei fazendo o filme”.

Mas quando Miklos diz ‘acabei fazendo o filme’, ele não quer dizer que apenas se limitou a interpretar Max. “Ajudei no figurino, na escolha das músicas. Levei centenas de sugestões de coisas que achei pertinentes para a trilha. A Anna gostou muito e várias estão lá no filme”, comemora.

Ele já esteve em outros dois filmes além de É proibido Fumar e O Invasor: Estômago e Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos, e também em uma novela, Bang Bang. Garante que agora é melhor ator: “Com o tempo aprendi mais a matéria do trabalho do intérprete. É algo que você exercita e aprende ao mesmo tempo”.

Essa dedicação rendeu a Miklos o prêmio de melhor ator no Festival de Brasília 2009 – de onde a produção saiu consagrada com mais sete outros troféus, entre eles melhor filme, ator e roteiro. “Foi uma surpresa e uma alegria muito grande. Eu não estava lá no encerramento, mas fiquei aguardando alguém me ligar para contar como o filme tinha ido. E demoraram muito. Eles me deixaram bastante ansioso e custou muito alguém a se dignar me ligar para dar notícia”, brinca.

Há mais de sete anos Miklos leva simultaneamente as carreiras de músico e ator e garante que isso só é possível pelo apoio que recebe dos seus amigos da banda Titãs. “Estamos juntos há mais de 30 anos e há uma ajuda muito grande entre a gente. Quando estou fazendo um filme, a gente faz uma agenda que me permita conciliar as duas coisas”. Agora, ele dará um tempo nas atuações, pois a banda está com um disco novo, “Sacos Plásticos”, e está começando uma turnê pelo Brasil. “É impossível pensar em fazer um novo filme nesse momento e no começo do próximo ano. Mas logo depois quero fazer mais trabalhos para cinema”.

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