04/06/2026

Portugal vê 1ª versão de “Luz nas Trevas"

Um primeiro corte do inédito Luz nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha, de Helena Ignez e Ícaro Martins, foi mostrado ontem (8-12) no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em Portugal, na primeira exibição pública da obra. Filmado a partir de um roteiro de Rogério Sganzerla, falecido em 2004, e estrelado por Ney Matogrosso, homenageado no evento, Luz nas Trevas... dá sequência a O Bandido da Luz Vermelha (1968), do próprio Sganzerla, e vencedor de quatro prêmios no Festival de Brasília daquele ano.

Não é a única retomada da obra de Sganzerla, um dos maiores nomes do chamado Cinema Marginal dos anos 60 e 70. Sua filha, a atriz Djin Sganzerla (foto), acaba de voltar da Índia, onde o Festival de Calcutá exibiu uma retrospectiva com seis filmes de seu pai. Um festival, aliás, com uma face bem peculiar, segundo ela: “Eles torcem um pouco o nariz à produção de ‘Bollywood’, que é mais comercial. E conhecem bastante a América Latina, Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha. Havia sessões lotadas às 9h30 da manhã. Fiquei superfeliz”, disse ao Cineweb.

Luz nas Trevas... foi filmado em fevereiro deste ano, num presídio abandonado, na zona leste de São Paulo. Retoma o personagem original, inspirado num assaltante real, João Acácio Pereira da Costa, e interpretado em 1968 pelo ator Paulo Villaça – que morreu em 1992. Neste novo filme, além do novo intérprete – Ney Matogrosso, em seu primeiro papel principal no cinema -, o personagem está diferente, como descreve Djin: “Ele está mais filosófico, transformado, num sentido shakespeariano”.

Nesta sequência, o protagonista encontra seu filho, outro bandido, chamado “Tudo ou Nada” (André Guerreiro Lopes). Djin interpreta sua namorada, Jane, mesmo nome da namorada do bandido original, vivida em 1968 por sua mãe. Helena Ignez. Desta vez, Helena viverá outra personagem importante, Madame Zero. Sergio Mamberti, que fazia um taxista no filme original, aqui será outro marginal, Nenê Jr. E o delegado Cabeção será interpretado pelo músico Arrigo Barnabé.

Projeto da Mercúrio, empresa familiar formada pela própria Djin, sua irmã, Sinai, e a mãe, Luz nas Trevas... ainda deverá sofrer modificações em sua montagem, antes do lançamento, previsto para 2010. “É um work in progress, ainda vai sofrer mudanças. Inclusive está sendo mostrado em Portugal em digital”, garante a atriz.

Estreia na direção
Além de Luz nas Trevas..., Djin será vista no ano que vem em dois filmes, já rodados. Um deles é O Gerente, de Paulo César Saraceni, uma adaptação do conto homônimo de Carlos Drummond de Andrade, em que contracena com Ney Latorraca.

A atriz conta que se trata de uma comédia com um toque de humor negro, sobre um bancário extremamente certinho (Ney) cujas mulheres perdem seus dedos, o que lhe dá uma fama de maldito. Djin ressalta que foi uma “honra” ter feito o filme com Saraceni, colega de geração de seu pai. Ela interpreta a primeira namorada do protagonista.

Outro filme em que ela atuou, com sequências rodadas em Portugal, foi As Doze Estrelas, de Luiz Alberto Pereira (Tapete Vermelho). Trata-se de outra história com um toque de realismo fantástico, sobre um astrólogo (Leonardo Brício) que ajuda uma novelista a escrever e cuja vida vai sendo transformada com o encontro com doze atrizes, interpretadas, entre outras, por Djin, Sílvia Lourenço e Leona Cavalli.

Também no primeiro semestre de 2010, Djin vai estrear como diretora, no caso, de um curta-metragem, que será feito a partir da encenação teatral O Espelho - A Cara Rajada de Jararaca, inspirado no conto homônimo de Guimarães Rosa. A atriz também codirigirá a própria peça, ao lado do ator André Guerreiro Lopes, que interpreta o único papel, de um homem que não consegue ver-se no espelho.

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