21/06/2026

Trabalhando em 12 projetos, documentarista finaliza filme sobre Raul Seixas


Evaldo Mocarzel é um documentarista que não para. Na última sexta, lançou dois filmes em São Paulo, BR-3 A Peça e BR-3 O Documentário, ambos sobre a montagem da peça homônima feita pelo Teatro da Vertigem na capital paulista. Além disso, atualmente o diretor toca outros doze projetos – entre eles, o aguardado documentário sobre Raul Seixas.

Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio está em fase de montagem e só deverá ser lançado no segundo semestre do ano que vem”, contou Mocarzel ao Cineweb. O filme, que ele codirige com Walter Carvalho (Budapeste), reúne depoimentos de diversas pessoas ligadas ao músico – inclusive o escritor Paulo Coelho, que foi parceiro de Raul em diversas canções, como “Metamorfose Ambulante” e “Mosca na Sopa”.

Mocarzel foi convidado por Carvalho para participar do projeto e, segundo ele, o trabalho é “uma troca muito interessante”. “Ele é um dos maiores diretores de fotografia do cinema brasileiro e aprendi muito com ele sobre imagem, enquanto ele trocou muito comigo sobre a utilização da palavra num documentário”.

Como não poderia deixar de ser, o documentário estará repleto de canções de Seixas. Mocarzel garante tudo está caminhando muito bem: “Os produtores estão cuidando dessa parte. Temos o respaldo das herdeiras de Raul na realização do documentário.”

Artes cênicas e novos caminhos

O cineasta define a peça BR-3, encenada no rio Tietê, em 2006, como “um momento histórico das artes cênicas brasileiras e mundiais”. Logo depois de assistir a uma apresentação, o documentarista gostou tanto da montagem que mandou um e-mail para o encenador, Antonio Araújo, e os dois resolveram filmar o espetáculo.

Filmar o espetáculo ao longo das 4,5 km do Tietê, foi um tremendo desafio: “Tive de criar uma mise-en-scène documental para poder eternizar na linguagem do cinema cena a cena desse espetáculo. Os fotógrafos ficaram com medo de cair no rio, mas eu criei uma estratégia de filmagem que dialogou com a contra-regragem do espetáculo”.

Mocarzel promete não parar por aí. Seus próximos projetos incluem filmagens de muitas peças de teatro. São  várias: Memória da Cana, com o grupo Satyros; Assombrações do Recife Velho, com os Fofos e o dramaturgo Newton Moreno; Hysteria, do Grupo XIX; Festa de Separação, com direção de Luiz Fernando Marques e Janaína Leite e Felipe Teixeira Pinto à frente desse documentário cênico; a primeira criação coreográfica da São Paulo Companhia de Dança, Polígono; A Última Palavra é a Penúltima, que reuniu numa galeria subterrânea abandonada, no centro de São Paulo, os grupos Teatro da Vertigem, Zikzira e LOT, do Peru. Para justificar as filmagens desses trabalhos teatrais, o documentarista diz que “alguém precisa preservar a memória de toda essa riqueza artística que está acontecendo nos dias de hoje”.

Fora esses projetos em andamento, Mocarzel deverá lançar o documentário Quebradeiras, que no último Festival de Brasília levou o prêmio de direção, som e fotografia. Como o próprio documentarista define, o filme marca uma guinada em sua carreira. “Abri mão de entrevistas em Quebradeiras. Não há palavra falada, somente a palavra cantada. Não fiz uma única câmera na mão, somente planos fixos, com uma elaborada arquitetura de quadro. E, pela primeira vez, usei uma trilha musical inédita”.

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