Título raro nas locadoras, está chegando ao mercado A Falecida, de Leon Hirzman, em oportuna versão restaurada. “Um dos objetivos do restauro para o lançamento em DVD é que as novas gerações conheçam os filmes do diretor”, acentua a jornalista Maria Hirszman, filha do cineasta, morto em 1987.
Sob a curadoria de Carlos Augusto Calil, Lauro Escorel e Eduardo Escorel, o projeto de restauração dos filmes do diretor começou em 2005. Mas apenas em 2007 a primeira caixa de DVDs – que contém, entre outros, Eles não usam Black-tie – chegou às lojas. “O projeto é uma empreitada coletiva. Reflete a vontade de que essa obra não se perca”, explica a jornalista. No ano passado, foi lançada uma caixa que incluiu S. Bernardo (1971), Maioria Absoluta e a série Cantos de Trabalho.
O processo de restauro digital começa com o escaneamento dos filmes que foram encontrados nos mais diversos estados de conservação. Da obra de Hirzsman, aliás, Garota de Ipanema (1967) foi o filme encontrado em condições mais precárias, e Maria ainda tem dúvidas se será possível restaurá-lo. Ainda em 2010, a jornalista acredita que deverão ficar prontos os três médias que compõem Imagens do inconsciente (1987), um dos últimos trabalhos do cineasta.
Olhando o cinema brasileiro contemporâneo, Maria acredita encontrar ecos da obra de seu pai em diversos filmes. “Alguns aspectos interessantes ainda sobrevivem, como o diálogo entre a ficção e o documentário. Além de uma preocupação com problemas sociais do Brasil. São coisas bem interessantes que resistem no cinema brasileiro, herdados talvez da geração de cineastas dos anos de 1960”. Como exemplo disso, ela cita Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, lançado nos cinemas brasileiros em 2005, depois de se consagrar como o primeiro filme nacional a ganhar a Mostra de Cinema de São Paulo.
