04/06/2026

Lina Chamie prepara projeto para filmar a São Silvestre por dentro

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Moradora de um prédio que fica bem ao lado do pódio da mais importante prova de atletismo de rua do Brasil, a São Silvestre, na avenida Paulista, a cineasta Lina Chamie (A Via Láctea) várias vezes acompanhou de perto as emoções dos milhares de participantes que acabaram de vencer o árduo percurso de 15 km – ou serem vencidos por ele.
 
As imagens que ficaram em sua cabeça sobre a competição acabaram dando-lhe a ideia de fazer um filme, misto de documentário e ficção, que ela procura viabilizar neste momento. Em entrevista ao Cineweb, a diretora conta que sua intenção é colocar neste filme a “visão do corredor”, ou seja, colar uma câmera ao corpo de seu protagonista, que ela imagina atleta e mulher, neste primeiro momento. “Meu plano é ter uma ‘câmera-alma’ que mostre como é estar lá dentro da corrida”, descreve.
 
Outro atrativo do projeto é, como ela lembra, que a São Silvestre, apesar de ser uma prova antiga (foi criada em 1925) e famosa, nunca foi objeto de um filme. “Em São Paulo S.A. [de Luiz Sergio Person], passava um trechinho dela, quando ainda era à noite”, recorda. A corrida passou a ser diurna em 1989.
 
Lina, que é esgrimista e participou de competições nessa modalidade no passado, é apaixonada por esportes. Para ela, o principal atrativo está no exercício de superação por trás dos torneios esportivos. “Me interessa o que empurra, o que leva alguém a procurar vencer, superar seus limites”.
 
Ela ainda não tem seu protagonista escolhido, mas sua intenção é que seja uma atleta, mulher e de ponta, capaz de vencer o percurso em aproximadamente 50 minutos – tempo equivalente ao gasto pelas mulheres que venceram as últimas provas, como a queniana Pasalia Kipkoech Chepkoir, em 2009, e as brasileiras Lucélia Peres e Maria Zeferina Baldaia, vitoriosas respectivamente em 2006 e 2001.
 
Mas já está decidido que o filme, ainda sem título definitivo, vai transitar entre o documentário e a ficção. Em termos ideais, Lina gostaria de começar a trabalhar no projeto nos próximos dois meses, já que em abril tem início o calendário de provas esportivas de que participam todos os atletas de olho na São Silvestre, com a intenção de treinar para a grande prova do dia 31 de dezembro.
 
A cineasta gostaria de, a partir de agora, começar a acompanhar sua atleta “e ver que material surge”. Dependendo do que ocorrer, os próprios pensamentos e expectativas dessa pessoa poderão ser usados no filme. Ou então isso será suprido por um roteiro ficcional, que Lina vai desenvolver.  
 
Como o projeto ainda está em aberto, a diretora acredita que poderão entrar também fantasias do personagem e mesmo histórias sobre os lugares que fazem parte do percurso da São Silvestre – entre eles, o Teatro Municipal, o MASP, o Minhocão e a avenida Brigadeiro Luiz Antônio, todos pontos-chaves da paisagem paulistana. O ponto alto estará na própria corrida, que será acompanhada por várias câmeras, colocadas estrategicamente ao longo do caminho, além daquela carregada junto ao corpo do protagonista.
 
O projeto ainda não tem orçamento fechado, mas Lina acredita que “não seja caro”. “Tudo depende também dos parceiros e dos apoios que se conseguir”, pondera.
 
Paralelamente, Lina vai desenvolver o roteiro de seu terceiro filme de ficção, Os Amigos, que ela gostaria de filmar em 2011, caso consiga captar os recursos necessários. Como aconteceu em A Via Láctea, mais uma vez o protagonista aqui será o ator Marco Ricca, vivendo um homem maduro que passa um dia particularmente dramático de sua vida.

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