04/06/2026

Atriz de “O Amor segundo B. Schianberg” diz que o filme foi como uma “jam session”

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Formada em Cinema e diretora de arte de curtas como Movement (2005) e Saga (2006), que foi selecionado para o Festival de Gramado, a paulistana Marina Previato estava de férias, mochilando pela Suíça, quando recebeu um convite para atuar no novo filme do diretor Beto Brant, O Amor Segundo B. Schianberg.  
 
Diretor de Crime Delicado (2005) e Cão sem Dono (2007), Brant procurava uma videoartista para protagonizar o novo trabalho – que previa a filmagem ininterrupta de um casal dentro de um apartamento, como num reality show, mas com outros propósitos. O cineasta e a videoartista tinham uma amiga comum, que deu a dica de que ele poderia assistir a um trabalho de Marina no Youtube. Ele viu e gostou. “Ele me contratou sem nem ao menos me conhecer. Fiquei insegura”, confessa a artista de 26 anos, em entrevista ao Cineweb.
 
Na verdade, além de fazer vídeo, fotografia, pintura e colagem, Marina já tinha atuado em duas séries da MTV – “Instituto Purifica” e “Teoria das Cordas”, ambas em 2007. Mas, mesmo que suas personagens nestes dois casos fossem bem próximas de sua própria personalidade, como seria o caso também em O Amor segundo B. Schianberg, a experiência neste longa revelou-se bem mais intensa.
 
Marina conta que bem que tentou se preparar, escrevendo até um roteiro para sua atuação no filme. Brant, segundo ela, rasgou o roteiro na hora. “Não quero nada disso”, ele disse. O que o diretor lhe pediu foi que entrasse no apartamento que seria o cenário quase único e que sua convivência com o outro ator, Gustavo Machado (de Quanto Dura o Amor), contasse a história do envolvimento entre os dois.
 
No apartamento, alugado num pequeno prédio do bairro paulistano da Aclimação, a produção do filme havia instalado oito câmeras, cujas imagens eram acompanhadas pelo diretor, num outro apartamento ao lado. A atriz garante que a experiência foi positiva: “Foi muito gostoso, porque fiquei solta, sem roteiro nem equipe por perto”. Ela ressalva que ela e Gustavo sabiam onde estavam localizadas as câmeras, mas não que elas eram tão potentes, com um zoom tão preciso. “Acho que o Beto não queria que a gente soubesse de tudo isso, para não correr o risco de ficarmos atuando para as câmeras ou perdermos a naturalidade”.
 
Segundo Marina, mesmo que o diretor pudesse contatar os dois atores por fones de ouvido, na verdade ele pouco interferia no seu processo de criação: “Às vezes ele mandava um e-mail, e só. E eu tinha a liberdade até de largar o fone e ir embora”. Por tudo isso, ela descreve o filme como uma “jam session”.
 
Foi Marina também quem escolheu os nomes dos dois personagens, Félix, para Gustavo – “por causa do gato Félix” – e Gala, para ela. A inspiração, neste caso, foi mesmo a mulher do pintor Salvador Dalí. “Eu amo o nome dela. E ela foi a musa dele, a grande paixão, além de objeto de sua arte. Foi uma relação muito forte”.
 
Outro ponto a favor para sentir-se à vontade foi que, durante o filme, Marina ficou mexendo com uma câmera, como faz normalmente. “Aquele era o meu universo, a minha zona de conforto”, define. Essas imagens que ela filma formam uma videoarte que os espectadores do filme podem ver no final. Até a gata que aparece no filme, Björk, é mesmo de Marina.
 
Apesar da espontaneidade do processo, ela garante que o filme nunca se aproximou nem de leve de um reality show: “Aquela não é minha vida. Mas tenho amigos que me dizem que foi mais difícil fazer o que eu fiz do que atuar a partir de um roteiro predefinido. Mas isso eu ainda não sei”.
 
Marina pretende continuar atuando e confessa que tem mais vontade de fazer cinema do que tentar o teatro. Tem alguns convites, mas nada certo ainda. Seu próximo projeto é dirigir um videoclipe para a cantora Monique Maion, que faz shows no circuito alternativo da capital paulista e, segundo Marina, “é a nova Tom Waits”.

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