21/06/2026

Diretor brasileiro quer surpreender público francês com filme selecionado para Cannes

Embora não haja nenhum longa brasileiro em competição no Festival de Cannes deste ano, que acontece entre 12 e 23 de maio, o segundo filme da dupla Felipe Bragança e Marina Méliande, A Alegria, participará da Quinzena dos Realizadores, uma das mostras paralelas mais importantes do evento, que apresentará produções de países como França, Quirguistão e Bélgica.
 
Segundo Bragança, estrear o filme no Festival de Cannes, mais do que uma honra é a oportunidade de mostrar seu trabalho num lugar onde há bastante visibilidade, já que estão em busca de um distribuidor para o longa no Brasil, além de possíveis parceiros internacionais. “Estou muito curioso para saber qual será a reação do público francês, porque é um filme que não fala de favela, violência, tráfico, que são assuntos comumente associados ao cinema brasileiro pelo público estrangeiro. Acho que vão se surpreender”, disse o diretor ao Cineweb.
 
“A Alegria” traz como protagonista a jovem Luiza e mostra a sua relação com seus amigos e familiares até um dia de Natal, quando seu primo desaparece, e só ela pode desvendar o mistério. “Apesar de se passar nos dias atuais, o filme fala bastante sobre as gerações que cresceram a partir dos anos de 1980, quando as utopias começaram a cair”.
 
Para a maior parte do elenco, os diretores escalaram atores estreantes ou com pouca experiência, como é o caso de Tainá Medina, que vive a protagonista, e Flora Dias, que havia participado do primeiro longa de Bragança e Marina, cujo título original, A fuga, a raiva, a dança, a bunda, a boca, a calma e a vida da mulher gorila, costuma ser reduzido a apenas A fuga da mulher gorila. No papel do primo está Cesar Cardadeiro, que em seu currículo tem participações na minissérie Capitu, de Luiz Fernando Carvalho, na qual fazia Bentinho quando jovem, e Pedrinho em O Sítio do Picapau Amarelo.
 
Apesar dos personagens e da temática juvenil, o diretor ressalta que A Alegria não é um filme apenas para adolescentes. “Não falamos apenas sobre esse universo. Buscamos dialogar com todos os públicos, embora a gente brinque bastante com o gênero de filmes adolescentes, como os do ‘High School’, ou os filmes de John Hughes”.
 
Orçado em torno de R$ 750 mil, A Alegria é o projeto mais ambicioso da dupla de diretores, que começou a parceria com alguns curtas, além de “A Fuga da Mulher Gorila”. Segundo Bragança, o olhar dele como roteirista e o de Marina, como montadora, são complementares quando estão no set. “A gente tem um diálogo muito bom, o que facilita na hora de dirigir”.
 
Atualmente, além de preparar o lançamento do filme em Cannes, Bragança, que tem 29 anos, espera que seu mais novo roteiro, A praia do futuro, comece a ser rodado no segundo semestre – a direção é de Karim Aïnouz, com quem ele trabalhou como diretor assistente e corroteirista em O Céu de Sueli (2006).  
 

Notícias relacionadas