De pintor frustrado a cineasta e fotógrafo. Foi assim que o diretor alemão Wim Wenders se definiu numa coletiva no final da tarde desta quinta-feira, a poucas horas da abertura no MASP da exposição de fotos “Lugares, Estranhos e Quietos”, que traz imagens captadas pelo cineasta e faz parte da programação da 34ª Mostra Internacional de Cinema.”São dois vícios que me acompanham: fotos e viagens. Os lugares das fotos exibem produtos da transformação humana – exceto uma gigantesca cratera deixada por um meteoro na Austrália”, explicou. “As fotografias podem dizer mais sobre as pessoas do que as pessoas sobre si mesmas”.
“Minhas fotos não necessitam de legendas ou explicações. Elas se revelam sozinhas, e, eventualmente, podem ter algum cunho político”. Entre as 23 imagens expostas, há lugares de conflito, como Israel e Armênia. O Brasil está representado por uma foto de São Paulo, tirada do alto de um prédio na Avenida Paulista, em 2007. “Estava esperando um helicóptero, e vi um lugar repleto de plantas e fungos”. O verde gritante dessas formações contrasta com o cinza dos prédios e do céu na foto da capital. Há também outra foto tirada em Salvador, mostrando um desenho numa janela.
O Brasil também aparece representado pelos artistas plásticos Osgêmeos, cuja pintura Wenders encontrou e registrou dentro de um túnel que foi destruído pouco depois de fotografado, em Wuppertal (Alemanha). Quanto à foto que integra os pôsteres da Mostra, o cineasta explicou que foi feita numa cidade no meio da Austrália. “A tela evoca não apenas os filmes, mas o cinema como um todo, as histórias que podem ser contadas”.
Atualmente, o diretor finaliza o seu primeiro longa em 3D: um documentário sobre a coreógrafa e dançarina alemã Pina Bausch, morta no ano passado. “Há anos conversávamos sobre fazer algo juntos. Mas eu não imaginava como filmar as danças. O primeiro filme que vi em 3D foi um documentário da banda U2. Percebi que estava surgindo uma tecnologia que poderia me ajudar”. Wenders conta que quase abandonou o projeto quando Pina morreu, mas resolveu seguir em frente pois os bailarinos do grupo dela podiam fazer as coreografias. Além disso, a rápida evolução do digital também permitiu filmar movimentos com graça e leveza. “No período de um ano deixei de usar câmeras com gruas gigantescas, substituindo-as outras menores e portáteis”.
Wenders diz acredita que o 3D vai salvar o cinema documental e resgatar o público. “A tecnologia digital, antigamente, era usada apenas para explodir prédios, criar mundos, só servia para mostrar coisas violentas e destrutivas. Mas não há nada mais cativante do que a realidade em 3D. Nada mais belo de se ver do que pessoas e lugares reais”.
Além das fotografias, a 34ª Mostra homenageia Wenders com a exibição de 4 filmes: Asas do Desejo, Paris, Texas, e Um filme para Nick. A exposição “Lugares, Estranhos e Quietos” fica no MASP até 9 de janeiro de 2011. Além disso, ingressos de filmes da Mostra dão direito a visita gratuita.
Serviço
MASP – Av Paulista, 1578 – fone: 11 3251-5644
De 21 de outubro até 9 de janeiro de 2011
Horário: de terça a domingo, de 11h às 18h (exceto quinta, até às 20h). A bilheteria funciona até 30 minutos antes do fechamento do Masp. Na segunda-feira, o museu fecha.
Preços: R$ 15 (inteira); R$ 7 (meia). Na terça-feira, a entrada é gratuita.
Mais informações: http://masp.art.br/masp2010/
Para mais informações sobre os filmes e as sessões da Mostra, acesse www.mostra.org
