A febre do 3D chega à animação nacional, com seu primeiro exemplar, Brasil animado. Sua diretora, Mariana Caltabiano, parece uma criança, tamanha a empolgação para o lançamento do seu primeiro longa. Brasil Animado é um filme voltado para o público infantil, com bastante colorido e personagens engraçadinhos. “Desde quando comecei a planejar o filme, vi que a história pedia o efeito do 3D. Não é algo gratuito. Tem razão de ser, para destacar as imagens, para criar ideia de profundidade e trazer os personagens e paisagens para mais perto do público”, disse a diretora em entrevista ao Cineweb.
No entanto, Mariana sabe que não bastam efeitos caprichados para garantir um bom filme. “É preciso acima de tudo uma boa história, bons personagens. Tentamos combinar essas duas características”. Ela conta que a partir do momento em que resolveu que o filme teria o efeito 3D passou a pensar diferente o seu roteiro. “Precisávamos de situações em que a imagem ‘saltasse’ para fora da tela”. Em Salvador, por exemplo, a diretora e sua equipe filmaram um grupo de capoeiristas. Enquanto eles brincam, em diversos momentos suas pernas “quase atingem o público”. “É preciso muita marcação para captar esse tipo de imagem com o efeito. No caso da animação, fica mais fácil, e tudo é possível”.
Já Marcelo Siqueira, que foi supervisor técnico e trabalhou na pós-produção do filme, conta que Brasil Animado permitiu muita experimentação. “Exatamente por ser de baixo orçamento, tínhamos mais liberdade para inventar, criar, brincar mesmo com os efeitos”.
Brasil Animado combina animações e imagens de paisagens, monumentos e fauna do Brasil. “A minha ideia no era juntar informação e entretenimento. Acho que as crianças podem ir ao cinema para se divertir e sair de lá conhecendo mais sobre o mundo”. Mariana diz que em seu trabalho procura dosar o humor para prender a atenção do público infantil.
Mãe de uma menina de 11 anos e um menino de 8, Mariana conta que eles foram fundamentais para que Brasil animado estabelecesse diálogo com as crianças e jovens. “Eles são muito antenados. Eu percebo as tendências de tudo, música, filmes, de acordo com as coisas pelas quais eles se interessam. Foram meus guias em muitos momentos do filme”.
O longa é protagonizado por dois cachorros: o Stress, um empresário, e o cineasta Relax que, segundo Mariana, são inspirados em diversas figuras que ela conheceu ao longo dos anos. “Sempre tem um produtor todo estressadinho, querendo cumprir prazos, cortar custos. E, do outro lado, o cineasta tranquilão, pensando em fazer o seu filme sem pressa.... Quis levar essa figuras para o cinema e brincar com o esse rótulo”.
Stress e Relax andam pelo Brasil em busca do Grande Jequitibá Rosa, a árvore mais velha do país – que para o empresário pode ser fonte de lucro. A dupla passa por diversos pontos turísticos. “Fizemos uma pesquisa enorme, selecionamos vários lugares, mas nem todos puderam entrar no filme, senão ficaria muito longo. Tentamos pegar os mais representativos, como Amazônia, Foz do Iguaçu, Tiradentes... Mas ficaram vários de fora, que eu adoraria que estivessem no filme, como Fernando de Noronha. Quem sabe não estarão numa continuação”.
Além das paisagens, Mariana queria uma trilha sonora bastante marcante. Para isso, contou com o trabalho de Alexandre Guerra e a participação de Ed Motta e Simoninha. “Eu sou fã do Ed; era meu sonho trazê-lo para o filme. Ele se identificou muito com os dois personagens, uma brincadeira entre paulistas e cariocas. Já o Simoninha é um cantor que tem ‘o sorriso na voz’. Com isso, iluminou o filme”.
