Rosamund Pike não gosta de se repetir. Transita de um filme de época (Orgulho e Preconceito) a um filme de ação (007 – Novo dia para morrer) sem fazer feio. Pode ser uma ‘mercadoria’ no tráfico de pessoas (Promised Land) ou uma jovem moderninha (Educação). Atualmente, ela é uma personagem da mitologia grega, Andrômeda, na continuação de A fúria de titãs, que estava em filmagem quando a atriz conversou com o Cineweb. “As minhas escolhas de personagens variam muito. Algumas são por que o trabalho é um desafio, outras, simplesmente porque vai ser divertido fazer o filme”, disse por telefone.
No caso de A minha versão do amor, foi paixão à primeira vista. “Esse é o tipo de filme que eu gosto de ver no cinema. Mas também o que me atraiu foi trabalhar com Paul Giamatti [que faz o protagonista], de quem sou fã”. No longa, Rosamund é Miriam, ex-mulher inteligente e sensível de Barney Panofsky, um produtor de televisão, incorrigível beberrão e mulherengo.
A atriz conta que Miriam é o tipo de papel que não se deve pensar duas vezes quando se recebe um convite para interpretar. “É uma personagem muito real, humana e complexa. Não existem tantas assim por aí no cinema, especialmente para atrizes. Hoje em dia, somos relegadas a papeis sem nuances, sem profundidade. Chamam a gente para fazer a esposa, a filha... “.
Em A minha versão do amor, Rosamund não apenas teve a chance de interpretar um grande papel, como também de ficar irreconhecível, por conta da maquiagem, que foi indicada ao Oscar, notável no efeito de envelhecimento da personagem. “Eu mesma não me reconhecia. Ficávamos algum tempo nos preparando, mas valia a pena. Ficou um trabalho muito bom e nada desconfortável”.
Rosamund já conhecia o romance de Mordecai Richler, no qual o filme se baseia, antes de ser convidada, o que a empolgou ainda mais. Aliás, livros fazem parte da vida da atriz, que é formada em literatura inglesa pela Universidade de Oxford. Atualmente, ela está cotada para participar da adaptação do premiado romance O Mar, de John Banville. “Os produtores estão tentando conseguir o orçamento para rodarmos logo. É muito difícil captar dinheiro para filmes pequenos independentes”.
Isso, aliás, é uma das coisas que pautam a atriz quando está com um convite em mãos. “Tenho que fazer filmes grandes, que garantem um bom salário e lucro, para poder me dedicar aos pequenos, que não vão ganhar muito dinheiro, mas são arte”. Nessa dicotomia, ela coloca seus dois trabalhos recentes: a continuação de A fúrias de titãs e A Minha versão do amor. Inclusive as personagens.
Enquanto Miriam é “gente como a gente”, Andrômeda é uma garota diferente de Rosamund. “Eu vejo essa personagem como as mulheres ganhando poder. Ela luta, briga e vai atrás dos seus ideais. No fundo, espero que o público feminino se identifique com ela”.
