09/06/2026

Vida de criadora da Daspu vai virar filme

Caco Souza (400 contra 1) não tem meias palavras quando fala sobre seu novo projeto – um longa sobre a ativista e criadora da grife Daspu, Gabriela Leite. “Eu não quero fazer um filme mascarado, penso em mostrar as coisas como são. A ideia é fazer um trabalho bem realista”. Aliás, foi com esse argumento que ele a convenceu a vender os direitos de sua biografia, “Filha, mãe, avó e puta”, publicada em 2009.
 
Criadora da grife e da ONG Davida, que defende os direitos das prostitutas, a própria Gabriela disse ao Cineweb: “A prostituição é um tema delicado, é preciso lidar com a questão com muito respeito e seriedade. A questão precisa de um tratamento sem hipocrisia, e muita honestidade e humanidade”. Aliás, quando se trata de prostituição no cinema, ela confessa que preferiu não ver Bruna Surfistinha. “Foi uma questão de posição mesmo. Sou amiga da Bruna, gosto dela, mas não do livro. Para mim, ela se coloca numa posição de vítima. E eu discordo disso”.
 
Desde o começo, o diretor Souza pensa na atriz Vanessa Giacomo (Jean Charles) para o papel de Gabriela, uma estudante de sociologia da USP que se torna prostituta e ativista. “Ela seria uma boa escolha”, concorda Gabriela. “Eu a conheci na pré-estreia de 400 conta 1, e a vi na novela [“Morde & Assopra”]. Ela é ótima, acho que pode fazer um trabalho muito bom”. A escalação da atriz, que está interessada, depende de negociações em curso no momento.
 
Antes de chegar ao cinema, porém, a história de Gabriela chega aos palcos do Rio de Janeiro, numa montagem dirigida por Guilherme Leme, e com Alexia Dechamps. “Não vi nada. Quero deixar para ser surpreendida na estreia”.
 
Já em relação ao filme, Gabriela vai acompanhar mais de perto. Já leu o primeiro tratamento do roteiro, assinado pela argentina Josefina Trota, e o aprovou. Para o diretor, o filme tinha que ser escrito por uma mulher. “Ela [Gabriela] tem uma história de vida muito legal, e eu quero mostrar isso no cinema, buscando um lado sociológico, antropológico da trajetória dela.
 
Mas também não vou me esquivar. É um filme que tem a prostituição como um dos temas, e vão ser necessárias cenas de sexo, mas tudo filmado com bom gosto”, explicou o diretor.
 
Souza confessa que ainda não tem um nome definido para o longa, mas “com certeza vai ter de trazer a palavra Daspu no título. Todo mundo já ouviu falar da marca”. Ele planeja filmar no primeiro semestre do próximo ano. Já no segundo, o diretor quer trabalhar em outro longa, que fará sobre a banda Calypso. “Eu conheci o Chibinha e a Joelma há dois anos quando eu filmava uma festa junina em Sergipe. A trajetória deles é interessantíssima, porque fizeram a fama e conquistaram fãs praticamente sozinhos, colocando suas músicas para tocar em alto-falantes em Belém”.
 
O filme ainda está na fase de pesquisa. Souza explica que ainda quer conversar muito com Joelma e Chimbinha, além de fãs, para ter muitas histórias para o longa. “Há uma simbiose muito grande entre a banda Calypso e o seu público, e isso tem que estar na tela”.
 
Souza declara que seu interesse como diretor é movido por histórias reais, como foi o caso de 400 contra 1, que abordava o nascimento de uma facção criminosa no Brasil. Entre seus próximos projetos está a adaptação de “Espírito Santo”, livro de Luiz Eduardo Soares (“Elite da Tropa”), Carlos Eduardo Ribeiro Lemos e Rodney Rocha Miranda, que combina ficção e fatos verídicos na investigação do crime organizado na capital capixaba. “Histórias de vida das pessoas me interessam, porque eu tenho curiosidade em entender um universo do qual eu faço parte”, define.

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