09/06/2026

O cinema perde Walter Hugo Khouri

O cineasta paulistano Walter Hugo Khouri morreu na madrugada desta sexta-feira, aos 73 anos, de enfarte. Seu corpo foi velado na Cinemateca e o enterro será neste sábado, às 10 horas, no Cemitério São Paulo.

Walter Hugo Khouri começou sua carreira cinematográfica como assistente do diretor Lima Barreto durante a preparação do filme O Cangaceiro, nos estúdios da Vera Cruz.

Talentoso crítico de cinema, o aprendizado com Lima Barreto deixou frutos por toda a sua carreira. O gosto por trabalho de estúdio, enquadramentos perfeitos e a escolha de bons técnicos - um legado da Vera Cruz - logo o distanciaram das propostas do Cinema Novo de Glauber Rocha, mais preocupado em mostrar com despojamento as mazelas sociais brasileiras do que os dramas existenciais da classe média.

Em 1952 roda seu primeiro longa, O Gigante de Pedra, com as atrizes Odete Lara e Edla van Steen. É o autor do roteiro e também operador da câmera, uma característica que manterá em seus trabalhos futuros, criando um estilo próprio.

Cinco anos depois, filma Estranho Encontro, que se contrapõe a Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos. Enquanto Nelson, um dos mestres do Cinema Novo, bebe nas origens do neo-realismo italiano, Khouri fecha o foco em seus personagens no interior de uma casa. É o que basta para ser acusado de alienado e de não abordar as grandes questões brasileiras.

Em 1964, lança Noite Vazia, seu grande ensaio existencial, com Norma Bengell e Odete Lara no papel de duas prostitutas que se relacionam com um ricaço à procura de prazer. Nos momentos em que a câmera abandona o quarto onde estão seus personagens, a cidade de São Paulo é mostrada com cores cinzentas, num clima opressivo. Para seus críticos, o diretor parecia estar mostrando outro país e não aquele atingido pelo golpe militar.

Alheio às críticas, Khouri continua fiel a seus princípios. Em 1965, filma Corpo Ardente, lançando para o estrelato Dina Sfat e Lilian Lemmertz.

Nos anos 70, o diretor se aproxima dos produtores da Boca do Lixo paulistana, berço da pornochanchada. Desse período são As Deusas e O Último Êxtase, ainda com uma forte marca pessoal.

Em 1982, filma Amor, Estranho Amor com a iniciante Xuxa Meneghel seduzindo um adolescente. Já famosa como apresentadora de TV, Xuxa tentou tirar o filme de circulação. Paixão Perdida, de 1998, foi seu último trabalho.

Notícias relacionadas