O prefeito de Paulínia, José Pavan Jr., anunciou na manhã desta sexta-feira (13), em coletiva, que neste ano não haverá a 5ª edição do Festival de Cinema, mas afirmou que todos os investimentos na Cultura continuarão a ser realizados. “Foi uma decisão muito difícil, mas tivemos que priorizar o trabalho social que vem sendo realizado na cidade. Suspender não significa acabar” diz o prefeito.
Pavan disse ainda, que Paulínia continuará a apoiar e investir nos longas e curtas produzidos no Polo Cinematográfico, Festival de Dança, Concertos, Peças de Teatro e na Formação e Capacitação dos 1200 alunos que frequentam o Espaço Cultura.
Segundo Pavan “as medidas foram necessárias para a economia do município, uma vez que a partir deste ano o Festival deveria ser 100% patrocinado por empresas privadas. Cerca de R$ 10 milhões que seriam investidos no Festival de Cinema, serão direcionadas para os trabalhos realizados na área social, como, construção de novas escolas, casas, saúde e nos programas do meio ambiente”.
Manifestação dos críticos
A suspensão do festival, que se tornou referência em todo o País, causou preocupação e motivou manifestações como a da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema – que, inclusive, foi criada na sua última edição, em 2011.
Abaixo, a carta aberta do presidente da Abraccine, Luiz Zanin Oricchio:
A Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) recebe com muito pesar o comunicado de que o Festival de Cinema de Paulínia não será realizado este ano.
A nota do prefeito José Pavan Jr. afirma que a alocação de recursos destinados ao festival em outras prioridades (saúde, educação, moradias populares) tornou a decisão inevitável.
Como cidadãos, entendemos a construção de moradias populares, e o investimento em educação, saúde e meio ambiente deveriam mesmo ser prioridades constantes de qualquer municipalidade, e não apenas em anos eleitorais.
Já como profissionais de cinema, lamentamos a descontinuidade de um projeto muito bem formatado e de grande repercussão nacional.
Em poucos anos, Paulínia criou um Polo Cinematográfico, uma Escola de Cinema e um festival que se tornaram exemplares. O festival, ora em compasso de espera, era justamente a vitrine de toda essa atividade. Reunia em Paulínia produtores, cineastas, atores e atrizes, jornalistas e críticos de todo o País. Formava público para os filmes brasileiros. Criava empregos na cidade e beneficiava a autoestima dos seus habitantes.
Muitos novos projetos surgiram desses encontros anuais entre profissionais de diversos estados da federação. Foi dessas reuniões, por exemplo, que nasceu a nossa própria instituição, a primeira associação nacional de críticos de cinema, o que faz com que tenhamos carinho especial com Paulínia.
Todo esse patrimônio simbólico corre o risco de se perder, ao sabor de conveniências políticas de momento. Esperemos que a fresta de esperança aberta no comunicado do prefeito resulte na realização do festival em 2013. Mas ressaltamos, desde já, que é perda irreparável o cancelamento da edição de 2012. Eventos importantes firmam sua tradição pela continuidade.
