04/06/2026

Gerbase lança novo filme em cinema, internet e TV a cabo

Em 2007, com 3 efes, o gaúcho Carlos Gerbase fez algo inusitado: lançou simultaneamente o filme em cinema, dvd, internet e tv a cabo. Meia década depois, ele repete o feito com Menos que nada, que chega às diversas plataformas na sexta (20/7). “Há um fator emocional, permite que o filme continue vivo por mais tempo. Se você lança no cinema, na segunda-feira, depois do primeiro final de semana, o filme já morreu. Ninguém mais vê”, disse o cineasta ao Cineweb.
 
Para comprovar sua tese, ele cita números. Nas salas de cinema, 3 efes vendeu cerca de 3 mil ingressos, teve 135 mil visualizações na internet, vendeu 350 DVDs e faz parte da programação do Canal Brasil. “Não fosse por isso, o filme seria visto por 3 mil pessoas, e pronto.” Menos que nada, aliás, deve ser obrigatoriamente lançado em internet, pois participou de um edital para mídias digitais. “Concorremos com diversos produtos, não só cinema, mas também sites, blogs.”
 
Menos que nada, curiosamente, tem um parentesco com o último filme de Stanley Kubrick, De olhos bem fechados (1999). Ao assistir ao longa, Gerbase – que em seu currículo também tem Sal de Prata – se interessou pela obra do austríaco Arthur Schnitzler, escritor no qual o roteiro do filme americano se inspirou. “Havia muito pouca coisa dele traduzida no Brasil, e começaram a sair mais obras depois do filme”. Lendo a coletânea Contos de amor e morte, o diretor encontrou um ponto de partida, uma história que lhe serviu de inspiração, o conto O Diário de Redegonda.
 
“O conto é curto, serviu apenas como mote: um sujeito apaixonado que perde a razão. É um tema universal e atemporal”. Para, então, se aprofundar na história de paixão e loucura, Gerbase fez pesquisas com psiquiatras e em hospitais. “Visitamos o Hospital São Pedro [em Porto Alegre], que hoje tem 400 internos, mas chegou a ter 5 mil, nos anos 1980. O clima lá é muito pesado”. Os atores Felipe Kannenberg e Branca Messina chegaram a conviver algum tempo na instituição. Eles interpretam paciente e médica.
 
Para fazer a seleção de elenco, Gerbase conta que usou o Facebook para encontrar os atores. “Eu morava na França e foi a forma como consegui entrar em contato com as pessoas. Foi inusitado, mas acredito que funcionou”.

Notícias relacionadas