O jornal francês Le Monde publicou uma crítica altamente elogiosa ao filme brasileiro Girimunho, dos diretores mineiros Helvécio Marins e Clarissa Campolina – que teve sua estreia mundial em 2011 na mostra Horizontes do Festival de Veneza e estreia hoje (15) na França.
O crítico Jacques Mandelbaum descreve o filme – que em francês ganhou o título Tourbillon – de “ensaio etnográfico à la Jean Rouch”. Afirma também que a obra “faz da ausência jamais justificada da geração intermediária uma das chaves de sua beleza e seu mistério” (o filme mostra apenas personagens mais velhas, como Bastu e sua amiga Maria, e seus netos jovens).
Para o crítico, o filme “divaga sem nenhum objetivo preciso que não seja o de compor uma espécie de fuga onde a presença suntuosa da natureza, o encantamento das canções, o espírito das palavras e a inquietude do amanhã formem um quadro como que suspenso no tempo”.
Mandelbaum considera que Girimunho evoca a “soberba indolência do verão português” vista em Aquele Querido Mês de Agosto (2008), de Miguel Gomes – exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. E conclui assim a crítica: “Ritmado pelo curso infinito do rio próximo, o São Francisco, a magia enlutada de Girimunho opera-se sem que nos demos conta. Como diz Bastu: ‘Não é o tempo que pára, somos nós que paramos’”.
A crítica completa pode ser lida neste link:
