22/07/2026

Cinemateca exibe "O Vigilante Rodoviário" restaurado

Um filme ligado à história da televisão brasileira será homenageado no próximo sábado (19), a partir das 14 horas, pela Cinemateca Brasileira: O Vigilante Rodoviário, pioneira série produzida pelo cinema brasileiro especialmente para a TV.

Foram realizados ao todo 38 episódios da série, entre 1961 e 1962, e transmitidos semanalmente pela TV Tupi. A série foi produzida por Alfredo Palácios e Cláudio Petraglia e dirigida por Ary Fernandes. O personagem principal era encarnado pelo ator Carlos Miranda, o vigilante Carlos, que policiava as rodovias de São Paulo sempre acompanhado por seu fiel cão Lobo.

A série fez tanto sucesso que vários episódios foram reunidos em longas-metragens que, lançados durante toda a década de 60, alcançavam o país inteiro, mesmo nas localidades onde a televisão ainda não penetrara: O Vigilante e os 5 Valentes, Missão Secreta, O Mistério do Taurus 38, O Vigilante Contra o Crime.

Os roteiros dos episódios - que tinham entre 20 e 30 minutos de duração - foram escritos por Ary Fernandes, Fábio Novaes Silva, Gilberto Sálvio e Alfredo Palácios; o montador era sempre Luiz Elias e o diretor de fotografia Oswaldo de Oliveira (que dirigiu também pelo menos um dos episódios: O Garimpo). O adestrador do cachorro King (o Lobo) era Luiz Afonso.

O esquema narrativo era basicamente o mesmo em todos os episódios: havia um crime qualquer (roubo, assalto, chantagem, fuga de cadeia, falsificação de dinheiro ou de remédios, etc.), a descoberta do crime, a perseguição dos criminosos, a luta e a prisão dos culpados.

Apesar desse esquema simples, as situações são variadas, retratando com eficácia a face urbana e das rodovias modernas de São Paulo no início dos anos 60, logo após o boom desenvolvimentista do governo Juscelino Kubistchek.

Essa face moderna está presente na escolha de locações como o ainda novo Parque do Ibirapuera, a Bienal de São Paulo, o Autódromo de Interlagos ainda em construção e, longe da capital paulista, Copacabana, no Rio de Janeiro, a Pampulha, em Belo Horizonte (o episódio Aventura em Ouro Preto, por exemplo, começa com o roubo de um quadro de Portinari e inclui a visita da ladra ao Museu de Ouro Preto com direito a uma aula sobre Aleijadinho).

Ao redor do núcleo principal - o vigilante Carlos, o pastor-alemão Lobo e o menino Tuca -, giram personagens variados, e entre os atores que trabalharam em diferentes episódios destacam-se Milton Ribeiro, Lola Brah, Stenio Garcia, Ary Toledo, Rosamaria Murtinho, Renato Master, Fúlvio Stefanini, Henricão, Geraldo del Rey, Milton Gonçalves, Lourdinha Felix, Fausto Rocha e Tony Campelo.

Os negativos originais dos filmes chegaram à Cinemateca Brasileira no início dos anos 80. Vários apresentavam irrecuperáveis sinais de deterioração e alguns estavam sem nenhuma condição de duplicação. Os custos envolvidos na restauração dos filmes atrasaram o trabalho.

A partir de 2001, com o apoio da BR Distribuidora e da Secretaria do Audiovisual ao projeto do Censo Cinematográfico Brasileiro, foi possível ao Laboratório de Restauração da Cinemateca salvar 25 dos 38 episódios originalmente produzidos.

Alem dos episódios salvos existem materiais de outros cinco, mas muito desgastados e que necessitariam de um tratamento digital para que possam gerar cópias com alguma qualidade de projeção. O Laboratório completou o processo de restauração de 10 dos 25 episódios processados, gerando as cópias de projeção que serão apresentadas na Sala Cinemateca em programas dos próximos dias 19, 20, 26 e 27 de julho. Entre eles estão:

A Repórter - Rosamaria Murtinho é uma jovem e corajosa repórter que auxilia o vigilante Carlos a descobrir e prender uma quadrilha de falsários.

História do Lobo - O Vigilante Carlos rememora seu encontro com Lobo, ainda filhote, abandonado numa estrada e como treinou seu fiel companheiro.

Café Marcado - Uma quadrilha se esconde num sítio para lavar e exportar grãos de café tratados pelo Instituto Brasileiro do Café com a finalidade de distribuição exclusiva no mercado interno. Casualmente o vigilante Carlos encontra e desbarata a quadrilha.

O Inventor - Bandidos tentam fazer chantagem com um jovem cientista (Geraldo del Rey) que trabalha num invento que dará maior velocidade às viaturas da Polícia Rodoviária.

O Sósia - O Vigilante Carlos se faz passar pelo intermediário de uma quadrilha de falsários internacionais. Vai ao Rio de Janeiro e visita os pontos turísticos da cidade até ser contatado pelos bandidos. Novamente em São Paulo, um contato é marcado nas salas de exposição sobre Arte Mexicana da Bienal para um encontro que levará à prisão dos bandidos.

Cineweb-16/7/2003-18.43

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