04/06/2026

“A vida do Tom Jobim não caberia num filme só”, diz Nelson Pereira dos Santos sobre “A luz do Tom”

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Desde quando pensou em fazer um documentário sobre Tom Jobim, o veterano cineasta Nelson Pereira dos Santos (Vidas Secas, Memórias do Cárcere) sabia que um filme só seria pouco. “Para falar da vida e da obra dele seriam necessárias umas 4 horas. E como exibidor não gosta de filme longo, resolvi que podia fazer dois documentários diferentes”, explicou em entrevista ao Cineweb.

O primeiro deles, A música segundo Tom Jobim, codirigido com a neta do músico, Dora Jobim, estreou no ano passado; agora chega aos cinemas A luz do Tom, documentário no qual a vida do compositor carioca é contada pelos depoimentos das três principais mulheres de sua vida: a irmã, Helena, e as duas mulheres: Thereza Hermanny e Ana Beatriz Lontra. “Eu queria os depoimentos daquelas que estavam ao lado dele o tempo todo, que vivenciaram as experiências junto com ele”.

Antes das gravações, Nelson conversou um pouco com cada uma das entrevistadas, mas disse que não quis interferir muito para não tirar a espontaneidade das entrevistas. “Elas foram contando suas vidas com o Tom na ordem cronológica. Filmamos tudo em 35mm, e depois tivemos muito trabalho para montar, porque tínhamos mais de 10 h de gravação”. A edição do longa é assinada por Alexandre Saggese e Luelane Correa. 

A história de Nelson com Tom é longa. Vem desde o Cinema Novo, quando o músico assinou a trilha de Porto das Caixas, de Paulo Cesar Saraceni. Na década de 1980, o cineasta fez um programa de televisão sobre Tom. Mas a história mais curiosa foi quando dava aula nos Estados Unidos. “Fui procurado com um roteiro sobre o Tom, escrito, é claro, em inglês. Quando voltei para cá, contei para ele, que se indignou”, se diverte recordando. “Mas eu falei, Hollywood faz filmes até na China falado em inglês. Mas mesmo assim, ele não se empolgou, e ficou fugindo. Nunca dizia nem sim, nem não.”

Agora, além de trabalhar no lançamento do documentário, Nelson começa a preparação para seu próximo filme, uma ficção sobre Dom Pedro II, baseado no livro de José Murilo de Carvalho. “Fomos contemplados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), e devemos receber R$ 2 milhões para fazer esse longa”.

O orçamento do filme está em torno de R$ 7 milhões e ainda se encontra na fase de roteiro. O  diretor pensa em filmar só no próximo ano. “Ainda não escolhi o elenco, nem defini todos os fatos que estarão no filme. Mas a trama deve se passar durante a época da Proclamação da República”. Esse será o primeiro longa de ficção do cineasta desde 2006, quando lançou Brasília 18%.

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