Um dos maiores festivais de documentários do mundo, o brasileiro É Tudo Verdade, que começa em São Paulo nesta quinta (4-4), chega à maioridade. Em sua 18ª edição, apresentará mais de 80 filmes, de 26 países. – e um de seus destaques é uma retrospectiva inédita no Brasil do cineasta soviético Dziga Vertov (1896-1954), na foto abaixo, um dos mais importantes documentaristas de todos os tempos. Dele, o festival apresentará 8 filmes, em parceria com o Austrian Film Museum, detentor do seu acervo. “Se vocês acham que conhecem o Vertov dos DVDs e da internet, estão enganados. Essas versões do Austrian Museum são as mais confiáveis, contendo sequências que muitos nunca viram", explicou Amir Labaki, fundador e diretor do Festival, durante a coletiva de lançamento.
Labaki afirma que a safra brasileira deste ano é “mais madura e forte, com escopo estilístico mais amplo do que no ano passado”. Vários documentários do festival deste ano são mais sensoriais, poéticos, enquanto outros combinam histórias públicas e pessoais. Já nos longas estrangeiros, ele destaca que vários cineastas em competição já passaram anteriormente pelo É Tudo Verdade.
A competição brasileira de longas reúne 7 filmes – todos inéditos: A alma da gente, Helena Solberg e David Meyer; Antártica, de Evaldo Mocarzel; Em busca de Iara, de Flávio Frederico; Mataram meu irmão, de Cristiano Burlan; Ozualdo Candeias e o cinema, de Eugênio Puppo; Serra Pelada – A lenda da montanha de ouro, de Victor Lopes; e O universo Graciliano, de Sylvio Back. Estes são os concorrentes ao prêmio de R$ 110 mil promovido pela CPFL Cultura, que patrocina o festival pelo 7º ano consecutivo.
Já a competição nacional de curtas apresentará: Alexina – Memorias de um exílio, de Claudio Bezerra e Stella Maris Saldanha; Coração de estudante, de Emílio Gallo; Gericinó – Do lado de fora, de Gabriel Medeiros e Maria Clara Senra; Um filme de bonecos, de Tulio Viaro; O pai do gol, Luiz Ferraz; Pátio, de Aly Muritiba; Sanã, de Marcos Pimentel; São Paulo Miniatura, de Wiland Pindsdorf; e Simulacrum Praecipitii – A visão do abismo, de Humberto Bassanelli.
Para discutir o golpe militar, que completou 49 anos no último dia 31, o festival exibirá uma outra retrospectiva e promoverá debates sobre o assunto. Neste programa, estão os longas Jango (1984) e Os anos JK (1980), ambos de Silvio Tendler, investigando os anos que culminaram no golpe de estado de 1964. E também uma série de curtas raros do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), contendo a propaganda ideológica patrocinada pelo instituto, financiado pelos EUA para desestabilizar o governo de João Goulart.
A competição de longas internacionais inclui 12 filmes: Antes e depois do jantar, de Cindy Kleine; Estou no espaço, de Dana Ranga; Filha-problema, de Stéphanie Argerich; A máquina que faz tudo sumir, de Tinatin Gurchiani; Minha revolução roubada, de Nahid Persson Sarvestani; Nascido na URSS – Geração de 28, de Sergei Miroshbichenko; Não me esqueça, de David Siweveking; Nosso Nixon, de Penny Lane; Parque do Povo, de Libbie D. Cohn e J. P. Sniadecki; Salma, de Kim Longinotto; Uma vez entrei num jardim, de Avi Mograbi; e Universo Particular, de Helena Trestikova.
Também faz parte da programação a 13ª edição da Conferência Internacional do Documentário, que este ano discutirá o papel da vanguarda na produção não-ficcional. A Conferência acontece no MIS, dias 9 e 10 de abril, com diversos convidados estrangeiros e tradução simultânea.
Os Programas Especiais e as seções O Estado das Coisas e Foco Latino-Americano completam a programação do festival, que acontece até 14 de abril em São Paulo e Rio. Depois, parte da mostra viaja para Brasília (16 a 21-4) e Campinas (23 a 28-4). Para mais informações sobre os filmes e a programação completa, acesse http://www.itsalltrue.com.br/2013/index.asp
Foto Dziga Vertov: Austrian Film Museum
