OInstituto Moreira Salles do Rio de Janeiro exibe duas mostras de cinema neste mês de abril.
Começa amanhã (16) e prossegue até dia 27 a mostra “Robert Altman: o casamento e outras cerimônias”, que marca o lançamento em DVD pela coleção IMS de Cerimônia de Casamento (1978), filme em que Robert Altman faz uma crítica aos costumes americanos que envolvem família e casamento. No dia 20 de abril, às 15h, Hernani Heffner, autor de um ensaio publicado no livreto que acompanha o DVD, participará de um bate-papo aberto ao público após a exibição de Cerimônia de Casamento. O evento integra a programação da mostra que reúne nove longas do cineasta americano, entre eles MASH (1970) e A última noite (2006), último filme do diretor, que morreu nesse mesmo ano.
Já a mostra “A tela dos índios” acontece entre os dias 16 e 20 de abril e reúne oito filmes que tratam da temática indígena na América do Sul, entre eles, Segredos da tribo (2010), documentário de José Padilha que questiona metodologia e ética no contato de cientistas estrangeiros com tribos indígenas. Haverá também a pré-estreia de As hiper-mulheres (2010), de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro, documentário que retrata o maior ritual feminino do Alto Xingu.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA DAS DUAS MOSTRAS
TERÇA | 16 de abril
14h: [Mostra Robert Altman] MASH (MASH), de Robert Altman (EUA, 1970. 116’)
Coréia, hospital cirúrgico móvel do exército (Mobile Army Surgical Hospital): para escapar a tensão causada pela constante chegada de feridos no campo e batalha, dois cirurgiões buscam refúgio na bebida, na rebeldia e na caça de mulheres.
16h: [Mostra Robert Altman] A honra secreta (Secret Honor), de Robert Altman (EUA, 1984. 90’)
Adaptação do monólogo de Arnold Stone: depois de renunciar à presidência dos Estados Unidos devido ao caso Watergate, Richard Nixon, sozinho, tendo ao lado uma garrafa de uísque e uma arma, passa uma noite registrando suas memórias em um gravador.
18h: [A tela dos índios] Índios do Amazonas em perigo (Indiens d’ Amazonie en sursis), de Daniel Schweizer (Suíça, 2012. 35’)
A exploração dos recursos naturais da floresta, a extração de minérios, o comércio de madeira e a construção de usinas como ameaça à sobrevivência dos Txucarramães e Yanomamis na Amazônia.
Bicicletas de Nhanderú, de Ariel Duarte e Patrícia Ferreira (Brasil, 2011. 48’)
Uma imersão na espiritualidade dos Mbya-Guarani de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, o filme começa quando um raio atinge uma árvore. Para os Mbya, a queda de um raio significa que Nhanderú, deus que tem Tupã como mensageiro, não está satisfeito com a tribo. O título do filme se refere ao ser humano, que para os Guarani seriam meros veículos dos deuses.
20h: [A tela dos índios] Corumbiara, de Vincent Carelli (Brasil, 2009. 117’)
Em 1985, um massacre de índios ocorreu em Corumbiara, sul de Rondônia. Apesar das evidências filmadas por Carelli, e das denúncias do indigenista da Funai Marcelo Santos, o caso foi esquecido. Dez anos depois, o encontro de dois índios desconhecidos uma fazenda oferece a primeira oportunidade a Santos e Carelli de retomar o fio desta história e de revelar a continuidade dos crimes contra os povos indígenas. Neste filme, realizado ao longo de mais de 20 anos, abre-se espaço também a uma autocrítica das próprias estratégias indigenistas.
QUARTA | 17 de abril
14h: [A tela dos índios] Segredos da tribo, de José Padilha (Brasil, 2010. 98’)
Os primeiros contatos de cientistas europeus e norte-americanos com os Yanomami. As pesquisas de Napoleon Chagnon (reunidas no livro Yanomamo - the Fierce People) e os trabalhos de Kenneth Good e Jacques Rizot. Uma análise dos estudos antropológicos feitos desde 1960 com as tribos da região do baixo Orinoco, na Amazônia venezuelana. Ao contrapor a opinião dos principais estudiosos, o filme revela problemas tanto do ponto de vista metodológico quanto do ponto de vista da ética.
16h: [Mostra Robert Altman] MASH (MASH), de Robert Altman (EUA, 1970. 116’)
18h: [A tela dos índios] Corumbiara, de Vincent Carelli (Brasil, 2009. 117’)
20h: [A tela dos índios] Tava - a casa de pedra, de Ariel Duarte Ortega, Ernesto de Carvalho, Patrícia Ferreira e Vincent Carelli (Brasil, 2012. 78’)
Documentário realizado em fevereiro e março de 2012, nas aldeias Mbya-Guarani da região de Misiones, na Argentina, e nas aldeias Guarani de São Paulo e do Rio de Janeiro, para saber o que os Mbya-Guarani pensam das reduções jesuíticas do século XVII no Brasil, Paraguai e Argentina.
QUINTA | 18 de abril
14h: [A tela dos índios] Índios do Amazonas em perigo (Indiens d’ Amazonie en sursis), de Daniel Schweizer (Suíça, 2012. 35’)
Bicicletas de Nhanderú, de Ariel Duarte e Patrícia Ferreira (Brasil, 2011. 48’)
16h: [Mostra Robert Altman] Quinteto (Quintet), de Robert Altman (EUA 1979, 118’)
Ficção científica: Paul Newman, Fernando Rey, Vittorio Gassman e Bibi Andersson vivem num mundo destruído por uma guerra nuclear e devastado por uma era glacial.
18h: [A tela dos índios] Tava - a casa de pedra, de Ariel Duarte Ortega, Ernesto de Carvalho, Patrícia Ferreira e Vincent Carelli (Brasil, 2012. 78’)
SEXTA | 19 de abril
14h: [A tela dos índios] Índios do Amazonas em perigo (Indiens d’Amazonie en sursis), de Daniel Schweizer (Suíça, 2012. 35’)
Bicicletas de Nhanderú, de Ariel Ortega e Patrícia Ferreira (Brasil, 2011. 48’)
15h45: [A tela dos índios] Serras da desordem, de Andrea Tonacci (Brasil, 2006. 135’)
O ponto de partida é o massacre de uma tribo indígena por brancos que cobiçam suas terras. O índio Carapiru escapa da matança, torna-se nômade e perambula pela mata durante dez anos. Encontrado em 1987, estava a 2 mil quilômetros do lugar em que sua família foi dizimada. Para contar essa história, entre a ficção e o documentário, o filme escala os personagens reais para reconstituir o trajeto de Carapiru depois do massacre de sua família.
18h: [A tela dos índios] Segredos da tribo, de José Padilha (Brasil, 2010. 98’)
20h: [A tela dos índios] PRÉ-ESTREIA: As hiper-mulheres, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro (Brasil, 2010. 80’)
Temendo a morte da esposa idosa, um velho pede que seu sobrinho realize o maior ritual feminino do Alto Xingu, para que ela possa cantar uma última vez. As mulheres do grupo começam os ensaios enquanto a única cantora que de fato sabe todas as músicas se encontra gravemente doente.
SÁBADO | 20 de abril
14h: [A tela dos índios] O amendoim da cotia (Kiarãsã yô Sàty), de Komoi Panará e Paturi Panará (Brasil, 2005. 51’)
O cotidiano da colheita de amendoim numa aldeia Panará, na fronteira entre os estados de Mato Grosso e Pará.
15h: [Mostra Robert Altman] LANÇAMENTO DE DVD: Cerimônia de casamento (A Wedding), de Robert Altman (EUA, 1978. 125’) Sessão seguida de debate com Hernani Heffner às 17h30.
Durante um casamento aristocrático os convidados se desentendem todo o tempo. A irmã do noivo é viciada em drogas e casada com um italiano com ligações com a Máfia. O noivo, parece, engravidou a irmã da noiva. O irmão mais novo da noiva vive tomando comprimidos, segundo ele, para a epilepsia. Uma briga explode entre as famílias quando o carro da lua de mel se espatifa contra um caminhão e todos acreditam que os noivos morreram.
20h: [A tela dos índios] PRÉ-ESTREIA: As hiper-mulheres, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro (Brasil, 2010. 80’)
DOMINGO | 21 de abril
14h: [Mostra Robert Altman] Mash (MASH), de Robert Altman (EUA, 1970. 116’)
16h: [Mostra Robert Altman] A honra secreta (Secret honor) de Robert Altman (EUA, 1984. 90’)
17h45: [Mostra Robert Altman] Cerimônia de casamento (A Wedding), de Robert Altman (EUA, 1978. 125’)
20h: [Mostra Robert Altman] O jogador (The Player), de Robert Altman (EUA, 1992. 124’)
Talvez se possa dizer que o ritual do cinema é um dos temas principais de Altman, e se for assim O jogador certamente ocupa uma posição de destaque entre os quase 90 títulos dirigidos por ele para cinema e tv, porque se passa entre gente de cinema e começa num estúdio. O plano inicial, longo, pouco mais de oito minutos, é de certo modo uma brincadeira com a abertura de A marca da maldade de Orson Welles. A câmera movimenta-se em torno de personagens que cruzam o estúdio de um lado para outro comentando velhos filmes e novos hábitos, o corta-corta-corta, os muitos planos curtos e a montagem agitada em lugar dos velhos e bons planos sequência.
TERÇA | 23 de abril
14h: [Mostra Robert Altman] Van Gogh, vida e obra de um gênio (Vincent & Theo), de Robert Altman (EUA, 1990. 138’)
França, Inglaterra, Holanda, Alemanha e Itália uniram-se para esta produção inicialmente pensada como uma série de quatro horas de duração para a BBC. Com uma equipe formada por franceses e holandeses, e apenas dois atores ingleses, Tim Roth e Paul Rhys nos papeis de Vincent e seu Theo, Altman sentiu em certo momento que a dificuldade com a língua era difícil de transpor e percebeu que essa dificuldade de entendimento tinha a ver com a história que conta no filme. O projeto o interessou pela possibilidade de compor um retrato diferente da habitual imagem do artista punido por estar à frente de seu tempo. Seu Van Gogh é um homem solitário, fala uma outra língua, um criador obsessivo, exigente com sua arte.
17h: [Mostra Robert Altman] Assassinato em Gosford Park (Gosford Park), de Robert Altman (EUA, 2001. 137’)
“Um equivalente a ter iraquianos e norte-americanos vivendo na mesma casa”, assim Altman definiu a situação central de Gosford Park. “Para mim esse é o drama, o filme é sobre isso. O pessoal do andar de cima, com regras próprias e estritas, e o do andar de baixo reunidos no mesmo andar. Podemos dizer que o pessoal de baixo é menos culto, mas as vidas deles são mais complexas que as do pessoal do andar de cima – que com suas regras e tudo ficam na superfície das coisas”.
20h: [Mostra Robert Altman] Buffalo Bill (Buffalo Bill and the Indians), de Robert Altman (EUA, 1976. 123’)
Em lugar da costumeira imagem do valente caçador branco que enfrentou povos selvagens para colonizar o oeste americano, Buffalo Bill aparece aqui como um alcoólatra artista de circo que vai de cidade em cidade encenando feitos heroicos até o instante em que um índio, Sitting Bull, contratado para dar mais vida ao espetáculo, decide intervir para contar a verdadeira história dos índios norte-americanos. Entre os intérpretes, Burt Lancaster numa ponta, Geraldine Chaplin, adiante incorporada ao elenco de Cerimônia de casamento e, no papel tíulo, Paul Newman, que voltaria a trabalhar com Altman três anos mais tarde em Quinteto.
QUARTA | 24 de abril
14h: [Mostra Robert Altman] A última noite (A Prairie Home Companion), de Robert Altman (EUA, 2006. 105’)
Último filme do diretor, história da derradeira apresentação de um programa de rádio: o auditório em que os músicos e apresentadores se encontravam regularmente para a
transmissão do espetáculo, acaba de ser comprado para ser demolido e transformado num estacionamento. Como de hábito no cinema de Altman, diálogos e situações diversas se atropelam numa ordem todo o tempo marcada pela ironia.
16h30: [Mostra Robert Altman] Van Gogh, vida e obra de um gênio (Vincent & Theo) de Robert Altman (EUA, 1990. 138’)
19h30: [Mostra Robert Altman] Assassinato em Gosford Park (Gosford Park), de Robert Altman (EUA, 2001. 137’)
QUINTA | 25 de abril
14h: [Mostra Robert Altman] Quinteto (Quintet), de Robert Altman (EUA, 1979. 118’)
16h: [Mostra Robert Altman] Buffalo Bill (Buffalo Bill and the Indians), de Robert Altman (EUA, 1976. 123’)
18h10: [Mostra Robert Altman] A última noite (A Prairie Home Companion), de Robert Altman (EUA, 2006. 105’)
20h: [Mostra Robert Altman] O jogador (The Player), de Robert Altman (EUA, 1992. 124’)
SEXTA | 26 de abril
17h: [Mostra Robert Altman] Assassinato em Gosford Park (Gosford Park), de Robert Altman (EUA, 1992. 137’)
SÁBADO | 27 de abril
17h: [Mostra Robert Altman] Cerimônia de casamento (A Wedding), de Robert Altman (EUA, 1978. 125’)
SERVIÇO:
Mostras (terça a domingo): R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia).
Passaporte: R$ 40 válido para 10 sessões das mostras organizadas pelo IMS.
Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
CEP: 22451-040. Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 3284-7400; Fax: (21) 2239-5559
De terça a domingo e feriados, das 11h às 20h.
