19/06/2026

Anna Muylaert se equilibra entre cinema e TV na produção de “Chamada a cobrar”

Chamada a cobrar, filme mais recente de Anna Myulaert, fez um percurso peculiar. Exibido na TV Cultura, no final de 2009, chega agora aos cinemas numa versão um pouco diferente. O longa conta a história de uma mulher (Bete Dorgam) que cai num golpe por telefone e acredita que sua filha caçula (Maria Manoella) foi sequestrada. Para salvar a moça, ela faz todas a exigências do homem que está do outro lado da linha.
Nesta entrevista, Anna fala sobre a produção do longa.
 
Um letreiro diz que o filme é baseado em fatos reais. Você se inspirou em algum caso específico ou em vários, conforme vemos noticiado no jornal?
Nós nos baseamos em vários casos similares. Pegamos detalhes de um, detalhes de outro, mas principalmente do caso da mãe de uma amiga minha, que realmente foi até o Rio de Janeiro a mando dos bandidos.
 
Quando o longa foi escrito, e depois filmado, – para ser exibido na TV Cultura –, você já planejava lançá-lo em cinema?
Quando foi escrito, não. Mas durante as filmagens, através do processo de direção em que os atores ficaram muito soltos e puderam trazer suas experiências para o texto, senti que o material havia crescido em tempo e em profundidade. De modo que já saí da filmagem pensando em fazer uma versão maior, que pudesse aproveitar o todo aquele material. Acho que o telefilme pretendia ser uma narrativa do crime e o filme é, na verdade, uma chamada a cobrar social.
 
Você vê diferença entre um filme feito para televisão e outro feito para cinema?
Sim, acho que há muitas diferenças. Além do tempo, tem a questão da linguagem. Normalmente um filme para TV usa mais closes e tem montagem mais rápida. No cinema, há o tempo para contemplação. Neste caso, o filme leva muito da linguagem televisiva pois surgiu a partir do mesmo material. Ele apenas aprofunda a versão que foi para TV.
 
Como foi o processo de retrabalhar um filme pronto para ser exibido no cinema?
Nós usamos mais material aqui, e também filmamos algumas cenas extras. A história é basicamente a mesma, mas mexemos muito na montagem, inclusive na estrutura. E trocamos toda a trilha.
 
Como foi a escolha da protagonista, interpretada pela atriz Bete Dorgam, mais conhecida do teatro?
Eu comecei pensando em usar uma mulher não atriz que tivesse sofrido o ataque. Fizemos alguns testes, mas senti que não estava dando certo e resolvi testar a Bete Dorgam, de quem eu era fã.
 
Como foram as filmagens da viagem para o Rio?
Este filme foi todo feito na guerrilha. A viagem pra o Rio foi um aprendizado sobre os dois estados. É impressionante como tem mais dinheiro em São Paulo, até os pedágios são mais ricos. Em compensação, no Rio ainda há mata. O processo foi corrido porque tínhamos pouco tempo.
 
Quais são seus próximos projetos?
Um longa-metragem de ficção chamado Que horas ela volta? sobre a história de uma babá que deixa a filha na Bahia e vem para São Paulo, onde educa um menino de classe alta.

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