09/06/2026

Cinemateca homenageia Eduardo Coutinho com filmes e debates

De 20 a 23 de março, a Cinemateca Brasileira homenageia a memória do cineasta Eduardo Coutinho, morto no último mês, com a exibição de quatro obras-primas de sua extensa e admirada filmografia, seguidas de debates que refletem o papel e a importância de sua obra para o cinema brasileiro. Cabra marcado para morrer, seu trabalho mais famoso, teve sua filmagem interrompida por conta do golpe militar em 1964. Retomando o material filmado, Coutinho ampliou sua ideia inicial ao incluir uma narrativa documental que refletia os dezessete anos passados desde o início de suas filmagens. Cabra marcado para morrer será exibido em cópia restaurada pela Cinemateca Brasileira.
 
Também fazem parte da homenagem Peões, que aborda o movimento grevista dos operários da região do ABC paulista, o sincretismo religioso dos moradores cariocas de Santo Forte e Edifício Master, que traça um retrato da classe média carioca.
 
As mesas trazem pesquisadores convidados por Ismail Xavier especialmente para esta homenagem. 
 
Programação:
20/03 - 19h30: Cabra marcado para morrer
Mesa com Henri Gervaiseau
21/03 -19h30: Peões
Mesa com Leandro Saraiva
22/03- 18h00: Santo forte
Mesa com Mateus Araújo
23/03 - 18h00: Edifício Master
Mesa com Ilana Feldman.
 
Sinopses:
Cabra marcado para morrer
Rio de Janeiro, 1984, 35mm, cor/pb, 119’ | Exibição em DCP
Narrativa semi-documental sobre a vida de João Pedro Teixeira, líder camponês da Paraíba assassinado em 1962. A produção do filme foi interrompida em 1964, em razão do golpe militar. Dezessete anos depois, o cineasta recolheu os depoimentos dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens. Parte da história das Ligas camponesas de Galiléia e de Sapé e a vida de João Pedro surgem através das palavras de sua viúva, Elizabeth Teixeira, que fala sobre a sua trajetória nesses 20 anos e das dificuldades da família perseguida pela ditadura militar.
 
Peões 
Brasil, 2004, 35 mm, cor, 85’ 
A história pessoal de trabalhadores da indústria metalúrgica do ABC paulista que tomaram parte no movimento grevista de 1979 e 1980, mas permaneceram em relativo anonimato. Eles falam de suas origens, de sua participação no movimento e dos caminhos que suas vidas trilharam desde então. Exibem suvenires das greves, recordam os sofrimentos e recompensas do trabalho nas fábricas, comentam o efeito da militância política no âmbito familiar, dão sua visão pessoal de Lula e dos rumos do país.
 
Santo forte
Rio de Janeiro, 1999, 35 mm, cor, 80 ' 
Em 5 de outubro de 1997 uma equipe de cinema entra na favela Vila Parque da Cidade, situada na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Os moradores assistem à missa celebrada pelo Papa no Aterro do Flamengo. Em dezembro, a equipe volta à favela para descobrir como seus moradores vivem a experiência religiosa. Católicos, umbandistas ou evangélicos, todos eles têm em comum a crença numa comunicação direta com o mundo sobrenatural através da intervenção, em seu cotidiano, de santos, orixás, guias, ou do Espírito Santo.
 
Edifício Master
Rio de Janeiro, 2002, 35 mm, cor, 110’ | Exibição em beta digital
Um retrato da classe média a partir de entrevistas com moradores do enorme Edifício Master, em Copacabana, Rio de Janeiro. A uma esquina da praia, o prédio de doze andares reúne mais de quinhentos moradores em 276 apartamentos conjugados. Durante uma semana, o documentarista e sua equipe conversaram com 27 destes moradores, como um casal de meia-idade que se conheceu pelos classificados de um jornal, uma garota de programa que sustenta a filha e a irmã, um ator aposentado, um ex-jogador de futebol e um porteiro desconfiado de que o pai adotivo, com quem sonha toda noite, é seu pai verdadeiro. A partir desses personagens, o filme discute a vida privada na grande cidade e o apartamento como último refúgio da individualidade, além de ressaltar o fato de que morar junto num mesmo lugar não garante a formação de uma comunidade.
 
Currículo dos participantes das mesas:
Henri Gervaiseau
Graduado em História (Université de Paris VII - Université Denis Diderot / 1975), mestre em Etnologia (Université de Paris VII - Université Denis Diderot /1977), doutor em Comunicação (UFRJ,/2000). É professor livre docente pela Universidade de São Paulo (2008), pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole e integrante do Grupo de Pesquisa CNPQ História e Audiovisual: circularidades e formas de comunicação. Tem experiência na área de Cinema, História, e Antropologia, com enfâse em documentário.
Leandro Saraiva
Graduado em Cinema e Vídeo pela Universidade de São Paulo (1998), e em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992), com mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2001) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2006). Seus trabalhos acadêmicos concentram-se em cinema brasileiro moderno e contemporâneo, com ênfase nas relações entre formas estéticas e sociedade. Trabalha como professor, jornalista, roteirista e diretor.
Mateus Araújo
Bacharel (1993) e doutor em filosofia (em regime de co-tutela) pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Université de Paris I (Panthéon-Sorbonne) com uma tese sobre o problema da imaginação em Descartes defendida em 2006, Mateus Araújo Silva desenvolve com uma bolsa da FAPESP um pós-doutorado em cinema na ECA-USP com uma pesquisa sobre Glauber Rocha. Ele tem articulado ao longo dos anos sua formação e seu exercício filosóficos com atividades e trabalhos no campo da história, da teoria e da crítica de cinema.
 Ilana Feldman                                                             
Doutora em Ciências da Comunicação (2012) pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde desenvolveu a tese "Jogos de cena: ensaios sobre o documentário brasileiro contemporâneo". Em 2011, realizou um Estágio de Doutorado (bolsa PDEE, Capes) no Departamento de Filosofia (U.F.R Arts, Philosophie et Esthétique) da Université Vincennes Saint-Denis, Paris VIII (Paris, França). É mestre em Comunicação e Imagem (2007) pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a dissertação "Paradoxos do visível: reality shows, estética e biopolítica".
 
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Serviço
Homenagem a Eduardo Coutinho – 20 a 23 de março. Cinemateca Brasileira.  Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, São Paulo. Tel.: (11) 3512-6111. Entrada franca.

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