A 38ª Mostra tem indiscutivelmente um sotaque espanhol e um molho de La Movida. Um dos cineastas mais queridos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Pedro Almodóvar, ganha um retrospectiva de sua obra na 38ª edição do evento, que acontece entre 16 e 29 de outubro na cidade. Além disso, o premiado diretor espanhol é responsável pela arte do pôster do festival, além de produtor do filme de abertura, Relatos Selvagens, comédia de humor negro do argentino Damián Szifrón, que competiu no Festival de Cannes, em maio passado, e depois fez mais de 2,5 milhões de ingressos em seu país. O filme tem uma sessão exclusiva para convidados hoje (15) à noite, mas está na programação da Mostra.
De Cannes, aliás, a Mostra traz os principais premiados: Winter Sleep, do turco Nuri Bilge Ceylan, ganhador da Palma de Ouro e do prêmio da Crítica Internacional (FIPRESCI); A Maravilha, da italiana Alice Rohrwacher; Foxcatcher – Uma história que chocou o mundo, que rendeu o prêmio de direção ao norte-americano Bennett Miller, além de outros da competição, como Dois dias e uma noite, dos irmãos belgas Jean e Luc Dardenne; Acima das Nuvens, de Olivier Assayas, protagonizado por Juliette Binoche; O Segredo das Águas, da japonesa Naomi Kawase; e Leviathan, do russo Andrey Zvyagintsev, ganhador do prêmio de roteiro.
Do Festival de Veneza, a Mostra exibe o Leão de Ouro, Um pombo pousou no galho refletindo sobre sua existência, do sueco Roy Andersson; além de filmes como o drama italiano sobre máfia Almas Negras, de Francesco Munzi. Outro destaque da Mostra é o vencedor do Festival de Locarno: Do que vem antes, do diretor filipino cult Lav Diaz (que foi homenageado com uma retrospectiva na Mostra em 2013). Detalhe: o filme tem mais de 5 horas. Outro filme de longa duração, O Pequeno Quinquin, primeira investida na comédia do premiado francês Bruno Dumont (A Humanidade, A Vida de Jesus), tem 3h20 - mas é uma minissérie para televisão em três partes, que serão exibidas em conjunto.
Muito Brasil na tela
O Brasil estará representado na programação com 50 longas nacionais – 38 deles inéditos, ou em sessões especiais. Os destaques ficam por conta de A história da eternidade, de Camilo Cavalcante, e Casa Grande, de Fellipe Barbosa, ganhadores dos principais prêmios no Festival de Paulínia, em julho passado, e Branco Sai, Preto Fica, de Adirley Queiroz, vencedor de vários prêmios no mais recente Festival de Brasília.
A Espanha será homenageada com diversos eventos. O primeiro deles é a retrospectiva Almodóvar, que trará boa parte da obra do cineasta – incluindo raridades como Pepi, Luci e Bom e Outras Garotas do Montão, além de seus maiores sucessos, como Mulheres À Beira de um Ataque de Nervos, Ata-me, Fale com Ela e Volver. Outro espanhol homenageado é Víctor Erice, do qual serão exibidos seus três longas O Espírito da Colmeia, O Sul e O Sol do Marmelo. Luis Buñuel, por sua vez, revive na Mostra com uma exposição de 85 fotografias, que ficará em cartaz na Cinemateca.
Outro homenageado com uma retrospectiva é Marin Karmitz, romeno de nascimento, radicado na França, mais conhecido como produtor de filmes como A Trilogia das Cores, de Krzysztof Kieslowski, e Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami, entre outros. A Mostra apresentará também seu lado menos conhecido, como diretor, função que ocupou entre 1963 e 1970, e rendeu filmes como Golpe por Golpe e Camaradas.
O chinês Jia Zhangke, diretor de filmes como Still Life – Em Busca da Vida e Um Toque de Pecado, é tema de um documentário dirigido pelo brasileiro Walter Salles: Jia Zhangke, Um Homem de Fenyang, e de um livro, O Mundo de Jia Zhangke, escrito pelo crítico francês Jean-Michel Frodon, e organizado também por Salles.
Clássicos eternos
Sempre um evento muito ligado à preservação da cultura cinematográfica, a Mostra não esqueceu o centenário do personagem Carlitos. Na programação, se exibirá o curta em que ele fez sua estreia, Corrida de Automóveis para Meninos (1914), de Henry Lehrman, e também o sucesso O Circo (1928), dirigido e estrelado por Charles Chaplin. Ambos serão exibidos ao ar livre, na área externa do Auditório Ibirapuera.
Outro centenário comemorado na Mostra é do nascimento do cineasta japonês Noburo Nakamura, de quem serão exibidos três títulos restaurados: Lar Doce Lar (51), Quando a Chuva Cai (57) e Paixão Mórbida (64).
Detalhes da programação podem ser conferidos no site da Mostra: www.mostra.org
