Começa nesta quinta (15), no CCBB de São Paulo, Histórias de Transformação: Mostra de Cinema Polonês, que apresenta alguns dos momentos mais significativos da produção cinematográfica polonesa das últimas seis décadas.
Composta por seis filmes dirigidos por importantes cineastas poloneses, a mostra retrata as transformações ocorridas na sociedade e na cultura polonesa a partir dos anos 1940. A seleção inclui gêneros e linguagens diversos, como o filme de ficção científica filosófico de Piotr Szulkin (O-bi, o-ba: Fim da civilização) e a sátira documental de Marcel Łoziński (Como viver). Serão apresentadas três-obras primas do cinema polonês recentemente restauradas: O-bi, o-ba: Fim da civilização, Como ser amada, de Wojciech Has, e Dívida de Krzysztof Krauze.
Como ser amada
Um dos destaques da programação é o drama de guerra Como ser Amada, de Wojciech Has, de 1962, que extrai sua força de uma marcante personagem feminina, a atriz Felicja (Barbara Krafftówna). O filme a retrata na maturidade, numa viagem da Polônia a Paris, em que ela recorda momentos dramáticos de seu passado, durante a II Guerra Mundial. Ela se preparava para interpretar Ofélia numa montagem de Hamlet quando o país foi invadido pelos nazistas.
Recusando-se a atuar para os invasores, Felicja passa a trabalhar como garçonete. E um dia acaba escondendo em sua casa um colega, Wiktor (Zbigniew Cybulski), acusado de ter assassinado um nazista. Ela está apaixonada por ele, mas ele não corresponde. Para mantê-lo escondido, ela se submete a todo tipo de sacrifício e humilhação. Corajosamente, o filme expõe o tema do estupro em tempos de guerra, contando com uma narrativa precisa, sem concessões, e uma protagonista surpreendentemente moderna.
Outros filmes
Os títulos selecionados, assim, dão voz a setores frequentemente discriminados da sociedade, como mulheres (Como ser amada, de Wojciech Has) e crianças (300 milhas até o céu, Corvos). Há histórias e personagens periféricos, como os protagonistas do filme 300 mil até o céu, de Maciej Dejczer, que conta uma história emocionante de dois jovens que fogem para a Europa Ocidental. Há também duas produções destacando a preocupação com o poder e com o consumismo na sociedade polonesa contemporânea. Como viver, de Marcel Łoziński, retrata de forma satírica um grupo de famílias em um acampamento na época comunista, que competem para ganhar uma máquina de lavar roupas. Já Dívida, de Krzysztof Krauze, apresenta uma história moralista contemporânea sobre a ilegalidade, a violência e a ganância.
Debate
No dia 15 de outubro, haverá um debate entre o crítico de cinema e jornalista brasileiro, Sérgio Rizzo, e a crítica polonesa Ela Bittencourt, co-curadora da mostra. O debate será dedicado a um dos documentários mais marcantes da época comunista na Polônia, Como Viver, (1977) de Marcel Łoziński, dentro do contexto da produção cinematográfica polonesa da época. Łoziński é o maior documentarista polonês vivo, conhecido por obras de não-ficção. Foi frequentemente censurado durante a ditadura militar na Polônia dos anos 1970 e 1980. O debate focará tanto o momento histórico representado no filme quanto a invenção estética do cineasta.
Serviço:
Histórias de Transformação: Mostra de Cinema Polonês
De 15 a 19 de outubro
Exibição em DVD
Entrada Franca: Retirada de senha a partir de uma hora antes da sessão.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo - Cinema
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro
CEP: 01012-000 | São Paulo (SP)
Fone: (11) 3113-3651
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.
Lotação: 70 lugares
