15/06/2026

“Reza a Lenda” atualiza tradições nordestinas com fantasia pop

O roteirista e cineasta Homero Olivetto tinha um sonho. Há anos queria levar para as telas uma pequena história que escreveu quando ainda estava na faculdade de filosofia em Salvador. Nela, as tradições nordestinas ganhavam uma linguagem mais pop. “Meus heróis são uma mistura de Batman com Lampião. Estão sempre lutando contra a natureza, uma força antagônica cujo enfrentamento os fortalece. O cangaço é uma referência quase inevitável”, disse o diretor na coletiva de lançamento do filme em São Paulo.
 
O resultado é Reza a Lenda, uma fantasia pop, uma espécie de western nordestino contemporâneo, no qual motos substituem cavalos e o cenário apocalíptico lembra a série de filmes Mad Max. “Mas tudo é baseado numa realidade local. As roupas, por exemplo, são inspiradas na estética de Petrolina”.
 
Para protagonista, Olivetto conta com Cauã Raymond, que também assina como produtor. Ele define seu papel, Ara, como um sujeito criado na adversidade. “Ele é um cara preparado para tudo”. O ator também se preparou para todas as cenas, mas teve de deixar algumas de lado. “Cheguei a tirar habilitação para pilotar moto, mas sofri um acidente logo no começo e não poderia mais me arriscar, pois algo mais grave atrapalharia e atrasaria toda a produção. Adoro moto, mas sou super medroso”.
 
Cauã também observa que nunca interpretou um personagem tão religioso. Ara é o líder de um grupo de motoqueiros que rouba a imagem de uma santa, na esperança de trazer a chuva para a região desolada por uma seca. Isso desperta a ira do todo-poderoso coronel local, interpretado por Humberto Martins.
 
“Foi um momento em que entrei em contato com minha religiosidade”, confessa Cauã. “Isso tudo me ajudou a criar o personagem. . O Ara é uma espécie de Antônio Conselheiro. Ele é um cara muito rústico, até ignorante.”
 
Já a heroína do filme é interpretada por Sophie Charlotte, bastante distante das personagens e do visual urbano que fizeram sua fama na televisão. “É uma personagem bem apaixonada e trágica. Se priva um pouco até do que é o feminino para seguir as batalhas. Ela é uma mulher sertaneja, tem que batalhar, ter força no braço, têm que ter atitude.”
 
Outra coisa que chama a atenção em Reza a Lenda são os efeitos especiais, que, segundo Olivetto, foram pensados desde a fase do roteiro. O filmeconta com cerca de 550 efeitos especiais, que incluíram cenas com tiros, explosões e capotamento de carro. Algumas cenas foram filmadas com drones. “Era uma história que só podia ser filmada agora, mesmo e tendo escrito uns 20 anos atrás”. E Sophie completa a fala do diretor: “Acredito que nunca houve nada como esse filme no Brasil. Estou muito orgulhosa”.

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