Cinema Novo, novo longa-metragem de Eryk Rocha (Rocha que Voa, Campo de Jogo e Transeunte), foi selecionado para a Mostra Oficial Cannes Classics, do Festival de Cannes 2016, seção voltada para filmes clássicos e do patrimônio do cinema mundial em cópias restauradas, além de filmes que homenageiam o cinema. O festival transcorre entre 11 e 22 de maio próximos.
O diretor Eryk Rocha comemora a seleção: "Em 2004, apresentei em Cannes o curta Quimera, que participou da Competição Oficial. É uma grande alegria voltar a Cannes 12 anos depois para apresentar o documentário Cinema Novo. Acredito que esse é um momento pertinente para o nascimento desse filme, que traz a força, a poesia e a política desse movimento que fecundou e inventou uma nova forma de fazer cinema no Brasil. Uma geração que imaginou o cinema inserido num projeto maior de país. O desejo do filme foi mergulhar na aventura da criação dos seus autores e suas poéticas. Lançar o Cinema Novo no presente, em pleno movimento, e perceber como esses filmes seguem ecoando e dialogando visceralmente com o Brasil contemporâneo. Uma das matrizes que o filme quer revelar é a interrupção que o movimento sofreu a partir do golpe civil-militar de 1964, e o trágico desdobramento do Ato 5, em 1968. Nesse momento, estamos vivenciando um iminente risco de golpe institucional e novamente, uma interrupção. Apesar de serem contextos históricos distintos, há graves semelhanças entre esses dois processos".
Cinema Novo concorre ainda ao prêmio L´Oeil D´or (Olho de Ouro) que é entregue ao Melhor documentário do Festival de Cannes, escolhido a partir de todos os documentários selecionados em todas as mostras, oficiais e paralelas. O júri desse ano é presidido pelo italiano Gianfranco Rosi, diretor de Fuocoammare, grande vencedor do Festival de Berlim 2016, e composto pelo jornalista brasileiro Amir Labaki, diretor do Festival É Tudo verdade; pela cineasta francesa Annie Aghion; pela atriz belga Natascha Regnier e pelo o produtor francês Thierry Garrel.
Sobre o documentário Cinema Novo, Eryk complementa: "O embrião do projeto nasceu de uma conversa que tive com o Canal Brasil. O produtor do filme é o Diogo Dahl, que tem uma ligação afetiva com o tema e tem sido um grande parceiro nessa caminhada. Cinema Novo é um filme-ensaio composto de múltiplos fragmentos de filmes e arquivos, e é fruto de um longo e denso processo de nove meses de montagem que contou o com magnifico trabalho do montador Renato Vallone. Nesse sentido foi essencial a participação das diversas famílias dos autores que nos ajudaram a construir esse filme. Nesse momento, estamos na reta final do som que está sendo realizado pelo Edson Secco, outro talentoso criador, com o qual realizei meus filmes anteriores Transeunte e Jards. Esse é um projeto fruto de parcerias de longa data e estou feliz que ele seja apresentando em Cannes por todos esses parceiros também" .
Sinopse:
Cinema Novo é um filme-ensaio que investiga poeticamente o principal movimento cinematográfico latino-americano, através do pensamento dos seus principais autores: Nelson Pereira do Santos, Glauber Rocha, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Ruy Guerra, Cacá Diegues, Walter Lima Jr, Paulo César Saraceni, entre outros.
