O 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que se inicia em 20 de setembro próximo, exibirá o novo filme de Julio Bressane, Beduíno, em sessão hors concours. Será a première brasileira do novo trabalho do mestre carioca, com estreia mundial prevista em agosto dentro do prestigioso Festival de Locarno.
Bressane é parte essencial do Festival de Brasília, já tendo vencido a competição em quatro ocasiões: em 1982, por Tabu; em 1997, por Miramar; em 2003, por Filme de Amor; e em 2007, por Cleópatra. Seu novo filme desafia fronteiras entre o sonho, o real e o imaginário, exibindo o desejo de mapeamento das sensações humanas através da música, da imagem, da letra e de outras manifestações artísticas. Segundo explica o próprio diretor, é um filme que se inscreve na realidade, mas de um real que se sustenta também pelo que é imaginado. Seus protagonistas são Alessandra Negrini e Fernando Eiras, atores habituais do diretor.
Outras duas sessões hors concours exibem dois documentários que se aproximam bastante frontalmente dos discursos e experiências em torno das relações entre homens e mulheres: são o pernambucano Câmara de Espelhos, de Dea Ferraz, e a produção paulista Precisamos falar do assédio, de Paula Sacchetta. Os filmes serão exibidos em sessões especiais no mesmo dia no Cine Brasília. No dia seguinte, haverá um seminário, “Diálogos de Cinema”, sobre questões de gênero e representação cinematográfica, partindo do diálogo e das proposições fílmicas das duas diretoras.
Câmara de Espelhos busca lançar luz sobre o chamado “male gaze” (o olhar masculino que constrói uma identidade para as mulheres), além de explicitar o papel do cinema na construção das identidades de gênero. A diretora propõe a um grupo de homens, fechados num estúdio, que discutam diferentes temas, abordando, de várias maneiras, a presença e os papeis exercidos pela mulher na sociedade.
Já Precisamos falar do assédio trabalha com a dinâmica de dar voz às mulheres para que estas possam falar de episódios que explicitem relacionamentos abusivos. Assim como no filme pernambucano, o dispositivo usado busca isolar as participantes, aqui individualmente, dentro de uma van estacionada em diferentes pontos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em ambos os casos, a situação de isolamento permite um clima de intimidade do qual emergem poderosas revelações, seja pelo discurso auto-expositivo de uns ou pelas duras lembranças íntimas das outras.
O Festival de Brasília acontece entre 20 e 27 de setembro próximo.
