
"Perifericu", realização de um coletivo de jovens do bairro do Capão Redondo, em São Paulo
O 31º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo – Curta Kinoforum, que este ano aconteceu totalmente online, anunciou os curtas vencedores deste ano. O grande vencedor foi Perifericu, realização de um coletivo de jovens do bairro do Capão Redondo, em São Paulo. A obra foi eleita como melhor filme da mostra competitiva brasileira do evento por um júri formado pela atriz Camila Pitanga e pelos cineastas Kleber Mendonça Filho e Susanna Lira. A produção, que recebeu prêmio do valor R$ 10 mil, mostra moradores que cresceram em meio às adversidades de ser LGBT no extremo sul da capital paulista.
Também foram divulgadas as produções favoritas pelo público do evento:
10 + Estrangeiros
* "Boa Noite" (Bélgica) - Anthony Nti
* "Ele Não Consegue Viver Sem Cosmos" (Rússia) - Konstantin Bronzit
* "Formas Concretas de Resistência" (Reino Unido) - Nick Jordan
* "Kini" (Uruguai) - Hernán Olivera
* "Mãe Chuva" (Peru/Bolívia/Argentina) – Alberto Flores Vilca
* "Mother's" (Bélgica) – Hippolyte Leibovici
* "O Portão de Ceuta" (França/Marrocos) - Randa Maroufi
* "Os Anéis da Serpente" (Chile) - Edison Cájas
* "Polvo" (Turquia) - Engin Erden
* "W" (Grécia) - Stelios Koupetoris
10+ Brasil
* "Carne" (Brasil-SP) - Camila Kater
* "Construção" (Brasil-RS) - Leonardo Santos Rosa
* "Egum" (Brasil-RJ) - yuri costa
* "Entre Nós e o Mundo" (Brasil-SP) - Fábio Rodrigo
* "Inabitável" (Brasil-PE) - Matheus Farias e Enock Carvalho
* "Lora" (Brasil-SP/Portugal) - Mari Moraga
* "O Que Pode um Corpo?" (Brasil-RS) - Victor Di Marco e Márcio Picoli
* "Tuã Ingugu [Olhos d'Água]" (Brasil-RJ/Itália/Suíça) - Daniela Thomas
* "Perifericu" (Brasil-SP) - Nay Mendl, Vita Pereira, Rosa Caldeira e Stheffany Fernanda
* "Vai Melhorar" (Brasil-RN) - Pedro Fiuza
Prêmio Revelação
Inciativa voltada a realizações de escolas e cursos de cinema, envolvendo uma série de empresas do setor audiovisual que, assim, contribuem na realização do próximo filme do diretor contemplado, o Prêmio Revelação foi conquistado por Rodrigo Ribeiro, diretor do curta catarinense A Morte Branca do Feiticeiro Negro. No filme, as memórias de um passado escravagista são transformadas em paisagens etéreas e ruídos angustiantes. Além de R$ 10 mil, a premiação oferece serviços cinematográficos das empresas LocAll, Papaya Cine Digital, Dot, Effecs Films e Cinecolor. O júri foi formado pelo crítico Cássio Starling Carlos, pela documentarista, curadora e jornalista Flávia Guerra e pela jornalista e pesquisadora Mariana Queen Nwabasili. Em sua deliberação, os jurados destacaram "a combinação habilidosa de imagens de arquivo, registros factuais, texto histórico e trilha sonora que evidencia de forma poética as múltiplas camadas ocultadas ou apagadas da história brasileira”.
Já o Prêmio Canal Brasil contemplou o curta-metragem paulista Carne, de Camila Kater, que recebeu R$ 15 mil e exibição na grade de programação da emissora. No filme, que já havia sido premiado no importante Festival de Locarno (Suíça), mulheres compartilham suas experiências em relação ao corpo. O júri foi formado pelos críticos Bárbara Demerov, Cecília Barroso e Bruno Carmelo.
O Prêmio TV Cultura teve como vencedor Lora, de Mari Moraga, de São Paulo. Contemplada com R$ 8 mil, como aquisição para integrar a programação do canal, a obra tem como protagonista uma mulher livre e plena de presença, que apresenta outra forma de pensar sobre pessoas em situação de rua. Uma menção honrosa, destinada a produções de oficinas de realização cultural, foi concedida a Nuance, dirigido por Flávia Duarte, uma reflexão sobre a solidão da mulher negra e os desafios no fortalecimento do relacionamento afetivo.
Filmes assinados por diretores estreantes concorreram ao Prêmio SescTV. O contemplado brasileiro foi Difícil é Não Brincar, de Papoula Bicalho, que registra brincadeiras de alunos de escolas públicas mineiras, enquanto o premiado internacional foi o israelense As Calças de Pushkin, de Lev Brodinsky, sobre crianças imigrantes em Israel. Cada um recebeu R$ 5 mil e ambos serão exibidos pela emissora.
O Prêmio Canal Curta! / Porta Curtas contempla, em votação pelo público, dois títulos entre os exibidos na plataforma Tamandua.tv, sendo que cada recebe R$ 3 mil. Os vencedores foram Estamos Todos na Sarjeta, Mas Alguns de Nós Olham as Estrelas, produção de São Paulo dirigida por Sergio Silva e João Marcos de Almeida, e Vai Melhorar, do Rio Grande do Norte, com direção assinada por Pedro Fiuza. A sinopse do primeiro o define como "greve no tapete vermelho", enquanto o último se passa no final de uma campanha eleitoral, quando surge um escândalo que pode comprometer a eleição.
Voltado para curtas-metragens voltados para crianças de idade entre dois e dez anos, o Prêmio PlayKids oferece R$ 5 mil para o vencedor. Focalizando um mal-humorado urso, que recebe uma visita inesperada, a produção russa Cobertor, de Marina Moshkova venceu a premiação. Foi concedida uma menção honrosa ao brasileiro Trincheira, produção de Alagoas dirigido por Paulo Silver e que se passa em um aterro sanitário, onde um garoto observa o imponente muro de um condomínio de luxo.
Premiação no valor de R$ 10 mil, o Prêmio Curta em Casa é destinado a um trabalho do programa especial homônimo, com títulos desenvolvidos pela iniciativa do Instituto Criar, Projeto Paradiso e Spcine. O vencedor, escolhido por cineastas e integrantes da Rede de Talentos Paradiso, foi o filme Dádiva, de Evelyn Santos, cujo enredo focaliza um presente imerecido.
O Prêmio ABD-SP é concedido pela Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-Metragistas a dois filmes, um da Mostra Limite e outro da Mostra Latino-Americana. O Prêmio ABD-SP Limite foi conquistado por Mensch Machine ou Reunindo as Peças (Áustria), de Adina Camhy, sobre um processador de alimentos presenteado por motivos desconhecidos. Já o prêmio para a Mostra Latino-Americana teve como vencedor o colombiano Garganta, de Mauricio Maldonado, sobre um adolescente isolado que encontra um corpo acidentado. Uma menção honrosa foi outorgada o francês Meu Corpo Entregue a Vocês, de Anna-Claria Ostasenko Bogdanoff, no qual um entregador, empoleirado em uma roda elétrica, atravessa uma cidade, depois um campo repleto de detritos, lixo e plantas doentes.
O Troféu "Borboleta de Ouro", para destaques LGBT+ para três obras (um brasileiro, um estrangeiro e um prêmio especial), eleitos pela equipe do Cineclube LGBT+. O prêmio internacional foi outorgado ao filme belga Mother's, de Hippolyte Leibovici, retrato de uma família de drags de Bruxelas. O prêmio brasileiro teve como vencedor o pernambucano Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho, sobre uma mulher trans que está desaparecida. Já o prêmio especial foi para o gaúcho O Que Pode Um Corpo?, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, sobre um bebê que não chora. Menção especial foi destinada a Perifericu, de Nay Mendl, Vita Pereira, Rosa Caldeira e Stheffany Fernanda.
O Troféu O Kaiser é outorgado pela ABCA – Associação Brasileira de Cinema de Animação para o melhor animador(a). O vencedor foi o paulista Carne, de Camila Kater. Uma menção honrosa foi destinado para o mineiro Mãtãnãg, a Encantada, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho, sobre uma índia que segue o espírito de seu marido, morto picado por uma cobra, até a aldeia dos mortos.
Criado e dirigido por Zita Carvalhosa, o Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo – Curta Kinoforum é organizado pela Associação Cultural Kinoforum, entidade sem fins lucrativos que realiza atividades e projetos e apoia o desenvolvimento da linguagem e da produção cinematográfica com destaque para a promoção do audiovisual brasileiro. Este ano, o evento exibiu 212 filmes, de 46 países, além promover 14 lives.
Serviço:
31º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS-METRAGENS DE SÃO PAULO
CURTA KINOFORUM ONLINE
de 20 a 30 de agosto de 2020
