08/08/2026

Autor de "Jardins Assustadores" visita S. Paulo

Fenômeno literário que vendeu mais de 200.000 exemplares na França de seu livro Jardins Assustadores, o escritor Michel Quint veio pela primeira vez ao Brasil para a Bienal do Livro, onde lançou esta que foi a obra que o retirou do anonimato e é seu primeiro trabalho traduzido em português. Escritor de peças de teatro e livros policiais há vinte anos, Quint conquistou o sucesso de público com este pequeno livro de 61 páginas, que conta a história de um menino, envergonhado pela insistência de seu pai, um professor, em apresentar-se em números de palhaço. O desenrolar da narrativa esclarecerá ao garoto as verdadeiras razões desta atitude do pai e que se relacionam a um episódio dramático ocorrido durante a II Guerra e ligado à Resistência antinazista.

A ficção de Quint guarda grande proximidade com a vida real do escritor e sua família. Seu pai realmente foi mantido refém durante a guerra - um episódio narrado no livro - sob a guarda de um soldado alemão que era o próprio Bernhard Wicki, ex-palhaço, futuro cineasta. Mas há amplo espaço para a recriação da realidade na ficção. "Meu pai realmente fez parte da Resistência mas nunca foi palhaço, nem professor", conta o escritor, em São Paulo.

O livro foi adaptado para o cinema, saindo nas salas francesas em 2003, dirigido por Jean Becker (diretor de Verão Assassino, de 1983, com Isabelle Adjani. Inédito no Brasil, na França, este filme já foi lançado em DVD. Quint não escreveu o roteiro, mas acompanhou de perto as filmagens, o que possibilitou que desse diversas indicações para os atores, como André Dussollier, Thierry Lhermitte e Jacques Villeret. No final, ficou satisfeito com a transposição para as telas: "Acho que tanto o livro quanto o filme dizem basicamente a mesma coisa: que nada na vida é inteiramente bom nem inteiramente mau", afirma. O escritor, de 55 anos, permanece em São Paulo até este sábado (24).

Cineweb 20/4/04 17h30

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