O novo trabalho de Spike Lee, feito com câmera digital, é um teatro filmado sobre a vida de Huey P. Newton, um dos líderes dos Panteras Negras, assassinado aos 47 anos.
O filme é todo centrado num monólogo em que o ator Roger Guenveur Smith, que interpreta o ativista negro, lê alguns de seus poemas e define suas posições políticas. O ator tem um desempenho extraordinário.
No final são mostradas cenas do Rio de Janeiro do filme de Camus, porque a fita era uma das favoritas de Huey. Numa passagem de Orfeu, um menino mostra para outro, numa favela do Rio, as lições de violão que aprendeu do protagonista, que acaba morto.
A lição que Huey tirou da cena era que, apesar da morte sempre vencer a todos, inclusive o próprio Orfeu, a vitória consistia em passar para a geração seguinte o saber do ser humano. Enfim, Huey fazia uma leitura política deste filme.
