04/06/2026

O encontro entre o cinema e a música brega em “Meu álbum de amores”

      Rafael Leone em um dos números musicais de "Meu álbum de amores" (Crédito: Divulgação)

O cineasta e diretor teatral Rafael Gomes sempre quis fazer um musical. “Eu queria que as músicas fossem um complemento para a história. Não algo como La La Land, em que tudo para e as personagens cantam e dançam”, explica em entrevista ao Cineweb. O resultado é Meu álbum de amores, um musical em que as canções e uma série de apresentações acrescentam uma nova camada ao longa.
 
As músicas, no filme, pertencem a um cantor fictício, que fez sucesso no passado, chamado Odilon Ricardo. Após sua morte, o protagonista, o dentista Júlio, é procurado por Felipe, que lhe conta que ambos são filhos do músico – uma surpresa para o personagem central, que viveu o tempo todo achando que seu pai era outra pessoa. Gabriel Leone interpreta tanto Odilon, nos números musicais, quanto Júlio.
 
Gomes acentua que Gabriel é uma pessoa extremamente musical. “Ele ouve de tudo, conhece de tudo. Ele é repleto de recursos e, em conjunto com o preparador de elenco Fabricio Licursi, criou dois personagens distintos, pai e filho, o cantor e o dentista.”
 
As músicas, por sua vez, foram criadas por dois ícones de estilos diferentes: Odair José e Arnaldo Antunes – com este, Gomes já havia trabalhado antes. “Desde o começo, o Arnaldo estava no projeto. Mas quando chegou a hora de compor, ele estava envolvido em outros projetos, então pensei: por que não ir à essência do estilo de música do Odilon Ricardo e chamar o Odair José?”
 
“O estilo romântico, também chamado de brega, são músicas com uma extravagância que não têm vergonha de se expor. Fiz uma pesquisa e voltei às origens, com o próprio Odair, Waldick Soriano, Agnaldo Timóteo. São cantores muito populares, que nunca foram aceitos por uma elite, e é fascinante a história da música deles.”
 
No filme, as melodias são compostas por Odair e as letras, por Arnaldo. Já as intervenções musicais, espalhadas pelo filme, são como clipes com estilo que remete aos anos 60 e 70. Dirigidos pelo próprio cineasta e com coreografia assinada pelo preparador Licursi, os clipes são um show à parte. “A inspiração foram os vídeos antigos de Roberto Carlos, Kate Bush, que voltou a ficar em alta por causa da música dela na série Stranger Things.”
 
Conhecido também por suas encenações teatrais – como a montagem de Um Bonde Chamado Desejo, de 2015 –, Gomes explica que cinema e teatro se encontram em suas obras. “O que o teatro me ensinou muito é a lidar com os atores e atrizes. Quem faz teatro está o tempo todo em contato com eles e elas, e eu trago isso para meus filmes: um trabalho muito próximo com o elenco.”
 

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