26/06/2026

Guédiguian e Ariane Ascaride em SP

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O CCBB de São Paulo abre a partir de hoje a retrospectiva da obra do diretor francês Robert Guédiguian (foto). Aos 51 anos, ele é o principal realizador independente da França, assinando trabalhos sempre marcados pela temática humanista e social, como A Cidade Está Tranqüila, Último Verão, Marie-Jo e seus Dois Amores, Ao Ataque, Deus Vomita os Mornos e . Na retrospectiva estão todos os 11 filmes já lançados pelo diretor. Faltam apenas os inéditos Mon Père est Ingenieur, que o cineasta lança na França no próximo dia 18, e o inacabado Le Promeneur du Champ du Mars, que está sendo montado.A retrospectiva em São Paulo será a primeira de sua obra em continente americano: nem Nova York, cidade que há anos se esforça para o mesmo intuito, conseguiu ter essa primazia.

Guédiguian e sua mulher, a atriz Ariane Ascaride, protagonista de todos os seus filmes, visitaram São Paulo pela segunda vez (a primeira foi há dois anos). Na abertura da mostra, na noite desta segunda (2), o cineasta lembrou-se da descoberta do cinema brasileiro, quando ainda estudava sociologia na Universidade de Aix-en-Provence e assistiu Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos. Fiel ao seu pensamento de esquerda, apesar de há mais de 20 anos não ter mais militância partidária (foi do Partido Comunista Francês), Guédiguian comentou que "a única Internacional que existe agora é a do cinema".

Foi do cinema, aliás, que ele fez sua trincheira há exatos 23 anos, quando deixou o PCF e realizou seu primeiro filme, Último Verão. De lá para cá, caracterizou-se por uma cinematografia que sempre coloca em primeiro plano a vida e as emoções das pessoas comuns, trabalhadores, sempre no cenário dos bairros operários de Marselha, sua terra natal.

Em São Paulo, Guédiguian e Ariane - que lembra às vezes a atriz italiana Giulietta Masina, a mulher de Federico Fellini - mostraram-s incansáveis na procura de descobrir a cidade de São Paulo, quase sempre a pé. Foram ao CineSesc, onde admiraram o bar de onde se pode ver o filme, e o mosteiro de São Bento, no centro. Também fizeram questão de ver de perto uma favela, no bairro do Morumbi, onde chamou sua atenção o contraste das mansões lado a lado com os barracos.

A mostra fica no CCBB até o próximo dia 15 e desloca-se para o CCBB carioca entre 17 e 22 de agosto. Confira os horários e a programação no site do CCBB: www.bb.com.br

Cineweb 3-7-2004 14h

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