
Matheus Nachtergaele, em cena, como Lucídio em O Clube dos Anjos (Crédito: Rodrigo Notari/Divulgação)
Partindo do livro homônimo de Luís Fernando Veríssimo, o roteirista e diretor da versão cinematográfica de O Clube dos Anjos, Angelo Defanti confessa que sentiu o peso da responsabilidade de adaptar um texto do autor. “Fiz um acordo de tentar não ser totalmente fiel, buscar alterações, e colocar em imagens aquilo que ele disse em palavras”, explica em entrevista ao Cineweb.
Uma das principais mudanças em relação ao original está no número de amigos integrantes do Clube do Picadinho, um grupo de homens que se conhecem desde a escola, e se reúnem mensalmente para um banquete. No livro são dez, e aqui sete, interpretado por Otavio Muller, André Abujamra, Paulo Miklos, Marco Ricca, Augusto Madeira, César Mello e Ângelo Antônio.
Matheus Nachtergaele também está no elenco, como Lucídio, um chef misterioso que se propõe, todo mês, a fazer o prato favorito de um deles, mas, estranhamente, depois da refeição, o sujeito agraciado com a última porção da iguaria, morre. Seria apenas coincidência, ou há um crime sistemático aqui?
O personagem de Nachtergaele está sempre na cozinha, e o ator conta que, embora não cozinhe em cena, tinha de saber como deveria agir, como se tivesse feito o prato. Para isso, ele foi buscar em suas memórias: sua mãe foi professora de culinária, e dava aulas na casa da família. “As alunas eram um grupo de burguesas paulistanas”, confessa se divertindo.
“Meus amigos de escola detestavam comer na minha casa porque era sempre alguma comida estranha e fria. Agora, eu detesto a cozinha funcionando o tempo todo na minha casa”. No filme, ele conta que o tom de sua interpretação é estilizado e o personagem frio. “Eu queria fazer uma Isabelle Huppert sem emoções”.
Defanti conta que muito da inspiração para a direção veio do teatro. Há momentos claramente teatrais em O Clube dos Anjos, como, quando os personagens conversam ao telefone, e a câmera passeia pelo cenário. “A ideia era também ser econômico, pois essa é uma história cíclica, não dá para ficar repetindo o tempo todo.”
César Mello, que interpreta André, o segundo a morrer, explica que, com o diretor, busco o tom certo para o personagem. “Testamos várias possibilidades, e o Angelo sabia muito bem o filme que queria. E também havia esse grupo de excelentes atores em cena. A princípio, fiquei um pouco tímido, mas todos foram muito acolhedores. Foi uma orquestração do diretor colocar todos no mesmo nível em cena.” Nachtergaele concorda, e define o longa como “sútil e elegante”. “É um filme que dá gosto de se ver. Na tela, é lindo, pois direção é muito cuidada”.
