07/06/2026

Começa na Cinemateca Brasileira e Cinesesc (SP) a mostra gratuita 1972 – 50 anos depois

A Cinemateca Brasileira apresenta, em parceria com o SESC-SP e a produtora Olhos de Cão, e com curadoria do cineasta Paulo Sacramento, um amplo panorama da produção cinematográfica realizada em 1972, exibindo obras que completam atualmente meio século de seu lançamento. Trata-se de rara oportunidade para observar possíveis interrelações entre esses filmes e a prevalência de temas e estéticas que nos permitem refletir sobre as próprias mudanças ocorridas em nossa sociedade ao longo de cinco décadas.
 
A mostra acontece de 10 a 20 de novembro, na Cinemateca, com a exibição de 20 títulos nacionais, e de 28 de novembro a 6 de dezembro, no CineSesc, com a programação internacional de 16 filmes. Quem estiver fora de São Paulo, poderá acompanhar a mostra pela plataforma Sesc Digital, que contará com 6 longas-metragens, para assistir gratuitamente de todo território nacional. Para mais informações, acesse o site sescsp.org.br/mostra1972.
 
A programação será dividida entre as salas da Cinemateca Brasileira (filmes brasileiros) e Cinesesc (filmes internacionais), sendo composta também de exibições adicionais na plataforma SESC Digital e de uma ampla exposição de posters e materiais diversos de filmes brasileiros no foyer Grande Otelo da Cinemateca.
 
A programação da Cinemateca Brasileira apresentará 16 longas-metragens que revelam a grande diversificação do cinema nacional no início dos anos 1970. Os anos fulgurantes do Cinema de Invenção ou Marginal já se esgotavam e algo novo estava por surgir. No Rio de Janeiro, Arnaldo Jabor encontrava enfim sua caligrafia com Toda Nudez será Castigada, Leon Hirszman fazia a partir de Graciliano Ramos uma de suas obra-primas e Glauber buscava atônito sintonizar o desespero para além das paredes do Cinema Novo.
 
Em São Paulo, por sua vez, a Boca do Lixo ensaiava passos bastante diversos, buscando o público popular através da afirmação do cinema de gênero: comédias eróticas, filmes de ação, faroestes. Mazzaropi mantinha sua trajetória entregando um sucesso por ano. À margem das tendências, Khouri e Mojica seguiam fiéis à sua forte e prolífica marca autoral. E Carlos Coimbra surpreendia com o retumbante sucesso de Independência ou Morte.
 
Ao contrário de exibir apenas obras-primas de nosso cinema ou sublinhar coerências e qualidades na obra de realizadores pontuais, a mostra convida o público a olhar livremente para uma produção diversificada, difundindo a pluralidade de nossa produção audiovisual. Desta forma, democraticamente e sem preconceitos, 1972 - 50 ANOS DEPOIS fomenta a ampla discussão em torno de nossa cultura da maneira mais generosa possível.
 
A mostra apresentará principalmente cópias em 35mm do acervo da Cinemateca Brasileira, mas também exibições em 16mm, arquivos digitais e DCPs recentes. Ao lado de clássicos, serão apresentados filmes raros que dispõe de cópia única e não são exibidos há mais de uma década na cidade de São Paulo, como Corrida em Busca do Amor (a estreia na direção de longas de Carlos Reichenbach), Quando os Deuses Adormecem (filme raro de José Mojica Marins) e O Mundo de Anônimo Jr (filme de Aron Feldman embargado pela censura, nunca lançado comercialmente). Destaca-se também a exibição inédita no Brasil do DCP restaurado em 4K pelo Eye Film Museum do pouco conhecido A Faca e o Rio, dirigido pelo holandês George Sluizer e inteiramente rodado no Brasil, falado em português e com elenco brasileiro.
 
Em homenagem ao cineasta Arnaldo Jabor, falecido este ano, a mostra será aberta com a exibição ao ar livre em 35mm de Toda Nudez Será Castigada (filme laureado com o Urso de Prata em Berlim) e contará também com a exibição de materiais originais inéditos de seu lançamento comercial no exterior.
 
Além dos longas a mostra apresentará também três curtas, um média-metragem e cinejornais da época.

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