
A Cinemateca Brasileira faz homenagem ao diretor de fotografia Dib Lutfi com a exibição gratuita do longa alemão Das Unheil (A Catástrofe) Fotografado pelo brasileiro em 1970, a sessão terá apresentação do diretor de fotografia Lauro Escorel, que foi assistente de Dib no filme. A sessão acontecerá no próximo domingo (27),às 20h.
Dirigido por Peter Fleischmann, o longa narra uma fase da vida de Hille (Vitus Zeplichal), jovem estudante que mora numa pequena cidade em preparação para a chegada dos sinos da igreja.
O filme foi rodado após o polêmico Festival de Berlim de 1970, em que não houve vencedores. O diretor Peter Fleischmann - então expoente do Novo Cinema Alemão - assistiu ao filme Os Deuses e Os Mortos e interessou-se pelo trabalho de Lutfi, que estava na comitiva brasileira junto ao diretor Ruy Guerra e ao ator Ruy Polanah. Fleischmann então convidou Dib para trabalhar e os dois Ruys incentivaram o fotógrafo a ficar na Alemanha. Dib aceitou o convite e acabou rodando uma ficção - Das Unheil - e um documentário - Mein Freund der Mörder – filme que dá voz a um assassino político, Bernhard Kimmel, o qual também atua em Das Unheil no papel de desertor.
Das Unheil é um filme a cores que ultrapassou os 55 mil metros de celuloide rodados (com dinheiro da United Artists), em 11 semanas, repleto de planos-sequência magistrais realizados pela dupla Dib Lutfi e Lauro Escorel. Trata-se de uma obra inédita do currículo dos dois fotógrafos, uma oportunidade única para críticos, cinéfilos e fãs de dois dos maiores diretores de fotografia do cinema brasileiro.
Lançado apenas na Europa - no Festival de Cannes de 1972, onde ganhou o prêmio Luis Buñuel - o filme ficou esquecido até 2015, quando começou a ser restaurado no Deutsche Filminstitut, em Frankfurt. Essa cópia digital vem pela primeira vez ao Brasil e será exibida também no Rio (dia 08/12, às 18h30, no MAM) e em Belém (dia 22/12, às 19h, no Cine Líbero Luxardo), como celebração aos 50 anos do filme. O projeto de cooperação internacional foi coordenado pelo cineasta e pesquisador Michel Schettert, com apoio do Goethe Institut.
