
Cristiane Oliveira, com máscara no rosto, nas filmagens de Até que a música pare (Crédito: Gustavo Galvão/Divulgação)
A cineasta gaúcha Cristiane Oliveira acaba de filmar seu terceiro longa-metragem, Até que a música pare, cujo roteiro foi um dos dez selecionados em meio a mais de 500 inscrições para o laboratório de roteiros do Festival de Berlim, o Talents Script Station. A produção é de Aletéia Selonk, da Okna Produções, que foi responsável também pelos outros dois filmes da diretora, os premiados Mulher do Pai e A Primeira Morte de Joana premiado em Gramado com três Kikitos, em 2021, e que estreia nos cinemas no primeiro semestre de 2023.
O filme é protagonizado por Cibele Tedesco e Hugo Lorensatti, ambos do renomado grupo teatral Miseri Coloni, de Caxias do Sul (RS). A filmagem ocorreu em setembro, em três cidades da Serra Gaúcha: Antônio Prado, Veranópolis e Nova Bassano.
Ao centro da trama está o casal Alfredo e Chiara. Obrigada a encarar a solidão depois que o último filho sai de casa, ela decide acompanhar o marido nas viagens dele como vendedor pelos botecos da serra. A confiança de mais de 50 anos de casados se quebra quando Chiara conhece a vida que Alfredo leva na estrada e ele descobre que algo mais a perturba.
“Conflitos familiares contemporâneos que o filme aborda se radicalizaram ao nosso redor enquanto fazíamos o filme, o que tornou toda ficção mais palpável. Aprendi muito com os atores. Hugo, por exemplo, atua em teatro desde os anos 1980 num grupo foi fundamental para despertar a consciência da população local sobre a ditadura.”
Cristiane explica que o luto, um tema já presente em seus filmes anteriores, aqui se apresenta por outra perspectiva. “O extremismo nas visões políticas e religiosas gera a sensação de que perdemos amigos queridos, ainda em vida, para manipulações orquestradas pelo ódio. E nossa busca ao longo da construção do filme refletia muito sobre quais são as palavras que fazem com que você desista de alguém que você ama. Qual é o seu limite de tolerância?”
Em sua equipe, Até que a música pare conta com Julia Zakia, na direção de fotografia; Adriana Nascimento Borba, assina a direção de arte; e a montagem é de Tula Anagnostopoulos, premiada em Gramado 2021 por A Primeira Morte de Joana.
Além de Cibele Tedesco e Hugo Lorensatti, o elenco do longa inclui Elisa Volpatto, o ator italiano Nicolas Vaporidis e atores e atrizes locais.
Na equipe italiana, está pelo produtor Emanuele Nespeca da Solaria Films, há ainda a dupla responsável pela pós-produção de som, Gianfranco Tortora e Massimo Filippini, e a compositora Ginevra Nervi.
Até que a música pare é uma produção da Okna Produções, empresa baseada em Porto Alegre com destacada trajetória no mercado nacional e internacional de filmes e séries de TV, em coprodução com a italiana Solaria Films. O longa, que se encontra em fase de montagem, será distribuido no Brasil pela Pandora Filmes.
Vencedor do prêmio para projetos com potencial de coprodução do edital Brasil-Itália (2016), promovido em conjunto pela ANCINE e pelo Ministério da Cultura italiano, o projeto participou do evento de mercado When East Meets West (Trieste, na Itália), do EAVE on Demand e do Talents Script Station (Berlim, Alemanha).
