26/06/2026

Festival de curtas começa com filmes de 49 países

A grande novidade da 15ª edição do Festival Internacional de Curtas de São Paulo, de 27 de agosto a 4 de setembro, é o Jameson Short Film Awards - o maior prêmio mundial para curta-metragens, patrocinado por uma conhecida marca de whiskey irlandês. Presente nos mais renomados festivais da Europa, este ano o prêmio se estende para a Tailândia, África do Sul e Brasil.

Os filmes concorrentes são os apresentados no "Panorama Brasil", que conta com mais de 40 curtas inscritos. O ganhador será escolhido por uma comissão especializada e irá representar o Brasil nos festivais em que o Jameson Short Awards estiver presente em 2005, além da premiação de 6 mil euros para o diretor.

Para Zita Carvalhosa, diretora do Festival, a presença do Jameson Awards acrescenta prestígio para os curtas brasileiros, que vêm se destacando em diversas mostras internacionais. "São Paulo é um dos primeiros festivais a participar do Jameson. E o ganhador vai circular por todo o mundo nos representando", explica.

Mas não é apenas o Jameson Award que é o grande motivo de comemoração para o Festival. A mostra paulistana chega à sua 15a edição como o evento mais importante voltado para curtas-metragens realizado no Brasil. Durante pouco mais de uma semana serão exibidas 437 produções de 49 países em 13 salas em São Paulo - além das mostras itinerantes programadas para o Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. Só de curtas brasileiros serão mostrados 157, que representam a safra brasileira mais recente no gênero.

FOCO NAS MEGACIDADES

Neste ano, o Foco do Festival está voltado para as megacidades. Serão mostrados diversos curtas que retratam a peculiaridade da vida em uma megalópole. Produções de 9 cidades desse tipo foram selecionadas, como "Gowanus, Brooklyn", premiado no Festival de Sundance em janeiro passado, e "Pista de Ultrapassagem", de Water Murch (o editor de som de " O Poderoso Chefão 3" e "Apocalypse Now").

A Mostra Internacional deste ano apresenta algumas curiosidades, como "O Tribunal Russell", um documentário que começou a ser rodado em 1967 e só foi concluído em 2003, e mostra um tribunal criado para investigar crimes cometidos por soldados norte-americanos durante a Guerra do Vietnã. Outro destaque é "Natan", premiado no Festival de Clermont-Ferrand, o mais importante para filmes nesse formato. Vem de Cingapura um dos filmes mais criativos do festival, "Corte", um verdadeiro manifesto de Royston Tan contra a censura em seu país, com a participação de diversos artistas.

Além disso, serão apresentados curtas premiados nos principais festivais internacionais. É o caso se "(A) Torção", de Stefan Arsenijevic, ganhador do Urso de Ouro, no Festival de Berlim, no início desse ano, e "Harvie Krumpet", de Adam Elliot, ganhador do Oscar de melhor animação em curta.

Essa mostra também terá o programa especial "Curta de Marca", que mostrará curta-metragens de cineastas renomados. Fazem parte dessa seção "O Leão Volátil", de Agnes Varda, "Heliograma", de Ivan Cardoso, além de três curtas de animação do estúdio inglês Aardman (o mesmo de "A Fuga das Galinhas").

O surpreendente "Os Elefantes Nunca Esquecem", uma co-produção entre México e Venezuela, participou de Cannes em 2004 e é produzido por Guillermo Arriaga, roteirista de "Amores Brutos" e "21 Gramas". Com um caráter documental, o curta foi praticamente rodado com câmera na mão e conta uma história com temática shakespeariana, com personagens condenados a seus próprios laços de sangue. Ao lado do chileno "O Homem Imaginário" e do mexicano "Fragmentos", esse curta é um dos mais importantes da Mostra Latino-Americana.

O cineasta francês François Truffaut será um dos homenageados nesse festival. Dois programas exibirão curtas dirigidos pelo cineasta ou que de alguma forma estão ligados a sua obra. O mais curioso é o canadense "Entrevista com François Truffaut", que mostra o cineasta e seu astro Jean-Pierre Leaud na noite de estréia de "Os Incompreendidos", em Cannes, em 1959.

Outro homenageado nesse festival é o fotógrafo e produtor Thomaz Farkas, que nos anos 1960 revelou diversos cineastas que viriam a se tornar grandes documentaristas, como Maurice Capovilla e Eduardo Escorel, além de técnicos como os fotógrafos Affonso Beato e Lauro Escorel. Os curtas produzidos por esse húngaro radicado no Brasil mostram uma faceta pouco conhecida do interior do país.

CURTA O FORMATO

Nessa edição há uma novidade para os curtas brasileiros: a seção Curta o Formato. Essas produções exploram as potencialidades do cinema de curta metragem. No total das 24 obras apresentadas, das quais, 11 finalizadas em vídeo.

Um dos destaques da mostra é "Vinil Verde", do pernambucano Kleber Mendonça Filho, que conta uma fábula de terror moderna envolvendo uma mãe, uma filha e um disco de vinil. Também participam dessa mostra "A Espera", que tem Enrique Diaz e Matheus Nachtergaele no elenco.

Os curtas realizados por brasileiros fora do país fazem parte de uma mostra especial. Serão exibidos filmes como "Dirigindo Sozinho", de Rosangela Araujo, produzido na Alemanha e premiado no Festival de Nueva Miranda (Argentina), e "Habanera", de Joana Oliveira, rodado em Cuba.

Além das sessões de curta, o festival também oferece as Oficinas Kinoforum e a seção Formação do olhar. As primeiras têm por objetivo aproximar a população do cinema, além de viabilizar a produção de filmes feitos por jovens de diversas áreas de São Paulo. Já a outra seção mostra trabalhos produzidos em oito estados brasileiros, e pretende fazer uma alfabetização audiovisual.

O festival será realizado em 13 salas de São Paulo: Museu da Imagem e do Som (Auditório e Sala Multimídia), CineSesc, Centro Cultural Banco do Brasil (Cinema e Sala de Vídeo), Centro Cultural São Paulo, Espaço Unibanco, Sala Cinemateca, Cinusp, FAAP, Cine Morumbi Shopping, Sesc Itaquera e Sesc Vila Mariana. Todas as sessões são gratuitas e os ingressos devem ser retirados nas bilheterias das salas.

Cineweb-26/8/2004-18.50

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